Hospital São Vicente encerra o ano com recordes

Com seus 117 anos, completos em 20 de dezembro, o Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV) comemora os resultados dos últimos três anos. Em produtividade o hospital cresceu sob diversos aspectos, resultado possível por meio da gestão estratégica, séria e transparente, tendo sempre o apoio da Prefeitura Municipal de Jundiaí e da Câmara Municipal.

Para chegar aos resultados de hoje, o hospital teve de superar um amargo capítulo de sua história. Em 2017, o hospital tinha uma dívida de curto e médio prazo de R$ 64 milhões. Quase custou a vida do hospital. Porém, uma série de medidas foram adotadas, incluindo adequação do quadro de colaboradores, parcelamento de dívidas com fornecedores, renegociações com bancos e muitos desafios sobrepostos com trabalho e comprometimento.

“O Hospital São Vicente passou por uma reorganização completa, ainda em 2017, a começar pelo uso adequado do recurso financeiro, que impactou positivamente no atendimento aos pacientes. Hoje, o Hospital serve ao interesse das pessoas que necessitam do serviço, cumpre a função para o qual foi estruturado. Quando falamos que a saúde tem prioridade na condução das ações de governo, o São Vicente exemplifica isso com rigor, pois mantém melhora contínua da qualidade de assistência prestada à população de Jundiaí, a partir do trabalho de colaboradores comprometidos. A cada ano, o Hospital supera bons resultados porque existe a lógica de que a eficácia da saúde é um processo diário. O São Vicente está muito melhor se comparado há três anos e o compromisso com a melhora da eficiência do serviço permanece”, diz o prefeito Luiz Fernando Machado.

Alta produtividade

Hoje são realizados mensalmente pelo hospital em média 24 mil atendimentos a pacientes de Jundiaí e região. Isso representa 11% a mais que no início de 2017. Em maio deste ano chegou a 25.827 atendimentos. Até o final de dezembro serão mais de 288 mil pessoas atendidas na instituição, população que equivale a quase 100% dos habitantes da cidade de Limeira, interior de São Paulo. Os atendimentos são de urgência, emergência e principalmente alta complexidade, englobando as áreas referenciadas de oncologia, ortopedia/traumatologia, cardiologia e neurologia.

Com relação ao número de cirurgias realizadas, o crescimento foi ainda maior e chegou a 20% em média, sendo que só no mês de outubro, o índice foi de 39% acima que a média anual de 2016. “Chegamos a 710 cirurgias realizadas num único mês, isso significa que em cada uma das oito salas que temos em nosso centro cirúrgico, 88 pacientes passaram por procedimentos nas mãos de nosso corpo clínico”, ressalta o diretor clínico do HSV Frederico Michelino de Oliveira. Como comparativo, o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, que conta com infraestrutura similar para cirurgias eletivas e de urgência, realizou a média de 426 cirurgias mensais em 2018, conforme portal da transparência no site da instituição.

 

O jovem Gustavo Fernandes Galindo, 18 anos, sofreu um acidente de bicicleta e precisou passar por cirurgias. “Quebrei várias costelas e bati a cabeça, onde fraturei o crânio. Passei por duas cirurgias e fiquei entre a vida e a morte. Agora estou me recuperando. Agradeço imensamente cada um dos médicos e enfermeiros, principalmente da Clínica Cirúrgica I e da Semi Intensiva no setor da Neurologia. O atendimento assistencial é muito bom. Tive a oportunidade de conhecer a clínica que foi reformada e está incrível. Com certeza proporciona muito mais conforto para os pacientes”, elogia.

A capacidade de internação do hospital é outro ponto de destaque, cresceu 20%. Isso significa que três anos atrás eram internados 1.148 pacientes e hoje este número saltou para 1.546 internações mensais. “Várias ações foram desenvolvidas com o objetivo de garantir o maior nível de segurança ao paciente e reduzir o tempo de permanência do mesmo no hospital, o que também garante uma menor taxa de infecção hospitalar e consequentemente, redução na taxa de óbitos”, sinaliza o superintendente do HSV, Matheus Gomes.

A média de infecção hospitalar tem sido de 2,41, porém em setembro chegou a ser de 1,47. O Ministério da Saúde divulgou recentemente que a estimativa é de que 14% dos pacientes internados em hospitais brasileiros são acometidos por infecção hospitalar. Outro diferencial foi no índice de mortalidade. Em 2016, a taxa era de 11,14 pacientes e atualmente é de 9,80, lembrando que o hospital recebe os casos mais críticos de toda a região. Redução da ordem de 14%.

A média de permanência no hospital, durante uma internação era de 6,34 dias e atualmente é de 5,82 dias, com grande tendência de queda, como demonstram os dados de setembro, que chegaram a 4,92. Outro fato relevante é o índice de giro/leito, ou seja, quantos pacientes utilizam um leito do hospital por mês. Em 2016, a média era de 4,81 e atualmente é de 6,44. “A participação no projeto Lean nas Emergências, que visa reduzir a superlotação nas urgências e emergências de hospitais públicos e filantrópicos, e é desenvolvido em 59 hospitais brasileiros com o suporte do Sírio-Libanês, foi um dos grandes diferenciais nesta redução. Permitiu a implantação de uma série de ferramentas, dentre elas, destacamos o huddle, que consiste em três reuniões diárias, de no máximo 30 minutos, com toda equipe multidisciplinar. Essas reuniões agilizam a tomada de decisão sobre o caso de cada paciente”, diz Matheus.

Capacidade

Justamente por ser referência em casos mais complicados para uma população de quase 900 mil habitantes, é difícil períodos em que o hospital esteja com menos de 100% de ocupação. “A comunidade confia no São Vicente e sabe que aqui temos equipes qualificadas, equipamentos de ponta para realização de procedimentos e uma infraestrutura diferenciada, então, temos em média uma taxa de ocupação de 113%. Seria muito importante que os hospitais da região pudessem se reorganizar para receber seus pacientes com mais qualidade, evitando a superlotação do São Vicente. Contamos com 238 leitos e adotamos cerca de 40 leitos extras para dar conta da demanda”, afirma o superintendente.

 

No setor de Oncologia, temos um dos índices mais expressivos. O número de pacientes atendidos na quimioterapia, teve um crescimento de 39%. No início da gestão eram atendidos 355 pacientes oncológicos ao mês. Atualmente este índice médio é de 493, mas tem crescido substâncialmente, especialmente após a entrega do novo espaço para atendimento dos pacientes em tratamento, inaugurado em maio. Em julho foram 503, agosto 520 e setembro 534.

A paciente de oncologia, Vera Lúcia Novaes Massari Lopes, 59 anos, diagnosticou um nódulo na mama após um auto-exame e descobriu o câncer. “Operei em outubro e desde dezembro do ano passado estou em tratamento na radioterapia. Foi minha primeira experiência no Hospital São Vicente e não poderia ter sido melhor. Sempre fui atendida com muito carinho pela equipe, o que na minha opinião melhora muito nosso humor. O ambiente fica mais alegre. É bonito, humanizado e nos distraí”, conta.

Domiciliar

Além dos pacientes internados, o São Vicente conta com o Serviço de Atendimento Domiciliar, que permite maior conforto aos pacientes ao receberam o tratamento em casa. O serviço ganhou um grande avanço com a renovação de sua frota, composta por três veículos que transportam as equipes. Os carros foram doados neste segundo semestre pela Prefeitura Municipal de Jundiaí em parceria com a Câmara Municipal. Em comparação a 2016, quando a assistência era prestada a 116 pacientes, o atendimento foi estendido a outros 72 pacientes. Totalizando 188 pacientes em atendimento domiciliar.

De acordo com Matheus, todos estes avanços são resultados de um forte trabalho em equipe. “Desde o início, não temos medido esforços para buscar melhorias estruturais para o hospital, foram mais de 100 no decorrer destes três últimos anos. Vejo o comprometimento de cada colaborador em desenvolver um trabalho sério, com respeito ao ser humano e sobretudo focado em salvar vidas. A Prefeitura e a Câmara Municipal tem sido grandes parceiros. Completamos esses 117 anos com otimismo e muita esperança, cientes de que ainda temos muito trabalho pela frente”, finaliza.