PF descobre rede que usava cabeleireiros como ‘mulas’ para tráfico internacional
A Polícia Federal, por meio da sede em Campinas, desencadeou nesta terça-feira (04) a ‘Operação Body Packing” para aprofundar investigações sobre organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas que utiliza brasileiros, em sua maior parte cabeleireiros e cidadãos transexuais, para ingerir grandes quantidades de entorpecentes para transportá-las até a Europa.
Três mandados de busca e apreensão, expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas, estão sendo cumpridos nas cidades de São Paulo, SP, Goiânia, GO, e Brasília, DF, tendo por alvos investigados que são suspeitos de serem os organizadores e recrutadores de pessoas para o transporte da droga.
De acordo com a Polícia Federal até agora foram 18 flagrantes no Aeroporto de Viracopos, nesse estilo. Os investigadores descobriram que os traficantes recrutavam as “mulas” em eventos de beleza e congressos de cabeleireiros, prometendo vantagens nas viagens para a Europa.
A investigação iniciou-se a partir da prisão em flagrante de dois passageiros (um homem e uma mulher), em 12.8.2018, que tentaram embarcar em um voo internacional de Campinas para Paris, com drogas ingeridas, sob a falsa alegação que estariam viajando em lua de mel.
Na oportunidade, dentro do corpo de ambos, foram encontradas 173 cápsulas com um total de 2,7kg de cocaína. Ambos foram presos e condenados.
Os dados extraídos dessa ocorrência levaram a identificar ao menos cinco outras ocorrências no Aeroporto Internacional de Viracopos em que as pessoas presas também se declararam trans, revelando indícios de uma rede nacional e internacional de pessoas envolvidas com tráfico de drogas e voltada à exploração de vulneráveis.
Dos quatro ora investigados ligados à cooptação e que hoje têm endereços que são objeto de buscas, dois deles, de origem estrangeira, já foram presos por tráfico de drogas e um deles é atualmente procurado pela Justiça.
Os investigados responderão pelos crimes de tráfico internacional de drogas e organização criminosa, podendo as penas ultrapassar 25 anos de prisão.
O nome da operação (em tradução literal do inglês, significa embalagem do corpo) faz referência ao uso do corpo humano como embalagem para a droga levada para entrega no exterior.
A operação conta com o apoio da Receita Federal e do Batalhão de Ações Especiais (BAEP).


