Aluno da FATEC de Jundiaí atua em logística, em Nova York
A primeira ideia de Flávio Henrique Matias, ao terminar o Ensino Médio, era cursar uma faculdade de engenharia. Até que um aviso em uma rádio local chamou a atenção para o Vestibular da Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) em Jundiaí. O ano era 2009, Flávio entrou na Fatec e, em meio às aulas do curso superior tecnológico em Logística e Transportes (hoje, Logística Integrada), um colega lhe falou de uma vaga disponível em uma empresa local. Ali ele começava a cimentar o caminho que o levaria a Nova York, nos Estados Unidos, onde vive e trabalha desde dezembro de 2021.
“Jundiaí é um polo de logística, achei que a Fatec seria uma opção acertada”, conta Flávio, que já na época pretendia trabalhar no exterior. Degrau a degrau, ele foi conquistando novos postos nas empresas em que trabalhava, enquanto fazia o mesmo na vida acadêmica: depois da graduação, seguiram-se três MBAs: Comércio Exterior, Gestão de Projetos e Gestão de Pessoas.
Em 2019, ele ocupava o cargo de gerente de Planejamento de Logística Ecommerce da Zara Brasil na Inditex. Já era o seu quarto ano na empresa, um conglomerado de indústrias têxteis espanholas da qual faz parte a rede de loja de roupas Zara, marca mais poderosa do grupo e que já fazia brilhar os olhos do jovem funcionário.
A porta aberta em um mundo fechado
Ninguém poderia supor, àquela altura, que no ano seguinte o mundo se veria transformado pela pandemia de Covid-19. Como a Zara Brasil ainda não tinha, no início de 2020, um e-commerce estruturado, Flávio se viu diante de uma grande operação, que pedia estratégia, rapidez e inventividade. “Esta é uma das vantagens de estudar na Fatec: a faculdade trabalha a habilidade humana, não só a técnica”, lembra. “Outro ponto forte da Fatec é que você é estimulado pelos professores a buscar constantemente novos métodos, novas soluções. O mercado muda e você precisa ser sempre um aprendiz.”
Ao saber da vaga da Zara em Nova York, Flávio se candidatou, como tantos outros funcionários da empresa ao redor do mundo. Ser fluente em espanhol foi um trunfo, mas o inglês, que era básico, melhorou muito na graduação. “Foi uma formação excelente, as matérias são bem estruturadas, os professores são ótimos”, elogia.
Ele conseguiu a oferta de trabalho e agora atua na implantação da automação dentro dos armazéns da empresa. “No meu primeiro emprego, também em um armazém, eu usava prancheta, papel e caneta. Agora estamos implementando o trabalho com robôs”, comenta o ex-estudante que já planeja um doutorado para daqui e a três ou quatro anos.
Nem tudo, porém, acontece sem turbulências. Mas a parte difícil se resolve com passagens de avião: a saudade de casa.


