quinta-feira, 4, junho, 2026, 03:16
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Jundiaí alcança 94% de crianças alfabéticas

Jundiaí concluiu o ano letivo de 2023 com elevados 94% de crianças no Ensino Fundamental I (do 1º ao 5º ano) alfabéticas, ou seja, capazes de ler e escrever. Se analisados os percentuais deste ano letivo – portanto, o primeiro semestre de 2024 -, a rede já conta com 87% de crianças alfabetizadas. Os números validam o trabalho desenvolvido nas Escolas Municipais de Educação Básica (EMEBs) da cidade.

“Por meio do monitoramento de dados, podemos tomar, em rede, as decisões baseadas nos números, e isso se reflete na escolha de propostas pedagógicas que melhor atendem às necessidades, e na formação assertiva dos profissionais. Isso tudo somado ao estímulo ao letramento desde os anos iniciais tem trazido resultados que saltam aos olhos”, compartilha a gestora de Educação, Vastí Ferrari Marques.

Em quatro anos, o percentual de crianças do G5 que concluem o ano alfabéticas quase dobrou, saltando de 1,24% em 2018 para 2,43% no início deste ano. As avaliações diagnósticas dessas crianças do G5 após um mês de trabalho no 1º ano também trazem bons resultados. No ano passado, em fevereiro de 2023, 10% das crianças já se tornavam alfabéticas após um mês de Ensino Fundamental; ampliando esse percentual em 50% em fevereiro deste ano, quando o índice chegou a 15%.
Para o prefeito Luiz Fernando Machado, os resultados alcançados com a Educação municipal são especiais. “Chego ao último ano de mandato com a certeza de que o trabalho desenvolvido ao longo de oito anos mudou o rumo das gerações, impactando positivamente na sociedade, mudando o ciclo de prosperidade de famílias”, comenta.

Dia a dia
Entre as inúmeras aprendizagens da turma do 1º C da professora Eliza de Aquino, a alfabetização é uma das conquistas mais celebradas entre os estudantes. Curiosas com o mundo de possiblidades resultado da leitura e da escrita, as crianças da Emeb Professora Armanda Santina Polenti não escondem a empolgação ao abordar o tema, proposto ao longo de toda a rotina de aula.

“A rotina começa com a leitura diária do alfabeto e de palavras para associação a cada uma das letras. Em seguida escrevemos os nomes dos ajudantes do dia e montamos o cabeçalho do caderno. Sempre atentos à fonologia, as crianças já sabem que antes de escrever precisam identificar de quantas partes cada palavra é composta, as sílabas, para identificar a escrita a partir do som das letras”, comentou a educadora.

Na aula sobre palavras com a letra L, a Laura Voigtlander, de seis anos, saiu com vantagem. “Elas começam com a letra do meu nome, então eu conheço bem”, brincou a estudante, que, neste dia era também a ajudante da sala.

E as aprendizagens de alfabetização da turma não param na construção de palavras, mas já avançam na elaboração de frases. Na mesma lição, o Vitor Negri construiu na lousa uma frase em que aparecesse a palavra “lua”. “A lua é feita de queijo”, brincou, “já que os dois têm furinhos”.

Mais alfabetização

Antes mesmo do período de alfabetização, o contato das crianças na rede municipal com contextos e linguagens de leitura e escrita é uma realidade desde a Educação Infantil. Nas unidades escolares deste segmento, o contato com elementos da natureza e oferta de repertorização – práticas da metodologia do “Desemparedamento da Escola” e do Currículo Jundiaiense – são propostas que favorecem o contato com o letramento.

Uma dessas vivências vem da Emeb Professora Cleo Nogueira Barbosa, no jardim Novo Horizonte, da turma de G4 da professora Elis Regina Lima, onde o contato das crianças com sementes de jatobá transformou-se em uma série de outras propostas. “As sementes estavam aqui, disponíveis na sala, e foram eles que sugeriram inserir os palitos para que se parecessem com picolés. Mas perceberam que era necessário colar com argila e que os sorvetes ficavam todos iguais. Então, quiseram fazer etiquetas com os nomes, pois assim também poderiam ‘vender’ entre si e os demais colegas da escola. Para isso, em assembleia, levantamos os nomes dos sabores e eles chegaram a 34 gostos diferentes. Nisso entra a importância da escuta, pois não foi uma vivência proposta, mas algo que, enquanto educadora, notei que se tratava do fruto da sensibilidade e da pesquisa que elas fazem”, comentou a educadora.

Elis também compartilha que, no elenco dos sabores levantados, foi possível identificar a presença de elementos culturais e regionais da turma. A pequena Lorrany Silva, de quatro anos, insistiu para que houvesse picolé de caju. “Nas últimas férias eu viajei para visitar meus parentes em Alagoas e lá tinha muito caju.”