Acidente levanta questão novamente da jornada dos motoristas
O presidente do Sindicato dos Motoristas de Ônibus, Emerson Lopes, vai pedir à Prefeitura de Jundiaí e às empresas de ônibus uma nova reunião para discutir a questão da jornada de trabalho dos profissionais do transporte de passageiros. Emerson disse que, desde a década de 80, um dos pedidos nas assembleias é a valorização da categoria, com redução da jornada para escala de 5 x 2.
Emerson disse que estava falando justamente desse tema na Audiência Pública realizada pela Prefeitura na Câmara Municipal, na noite de quarta-feira (06), quando ocorreu o acidente na Rodovia Vereador Geraldo Dias, com 28 pessoas encaminhadas aos hospitais.
Ele disse que outros três diretores foram até o local dos fatos para prestar toda assessoria ao motorista envolvido no acidente.
Nesta quinta-feira (07), os diretores acompanharam o trabalhador até o Instituto Médico Legal (IML) para os exames do legista, destinados ao Inquérito Policial. Além disso, o corpo jurídico do Sindicato está à disposição do motorista.
Emerson disse que as empresas de ônibus são rigorosas quanto aos exames médicos dos trabalhadores, que precisam estar em dia.
Ele ainda não sabe o que levou o motorista a sofrer o mal súbito, mas entende que a categoria trabalha muito e se estressa muito, tanto no trânsito quanto dentro do coletivo, e tudo acaba afetando a saúde e o emocional.
O jornal apurou que era o horário de trabalho normal do motorista.
Falta de mão de obra
Segundo Emerson, a jornada de trabalho só não mudou até hoje porque falta mão de obra no setor de transporte coletivo.
As pessoas não querem mais trabalhar como motorista de ônibus, e isso é um cenário nacional.
Segundo dados do Sindicato, hoje 52% dos motoristas de ônibus têm mais de 55 anos de idade, sendo que apenas 3% são condutores novos que ingressam na carreira.
O déficit de profissionais tem variado entre 18 e 25% nas empresas de ônibus, que anunciam frequentemente que há vagas.
Com a falta de motoristas no mercado, os trabalhadores acabam partindo para horas extras para suprir as necessidades.
Emerson disse que o ideal seria os motoristas terem duas folgas nos finais de semana, a cada mês. Mas, a atual situação do mercado acaba ocasionando tudo isso que compõe o cenário atual.
“Vamos continuar buscando a qualidade de vida para os motoristas”, disse.


