Jundiaí passa a contar com procedimento inédito contra câncer de mama
Três pacientes do SUS de Jundiaí diagnosticadas com câncer de mama participaram de uma ação inédita na cidade nesta quarta-feira (29). Elas fizeram uma sessão de crioablação. O procedimento minimamente invasivo e realizado em ambulatório é feito através do congelamento das células tumorais, ou seja, após anestesia local, as pacientes receberam uma dosagem de nitrogênio líquido para o congelamento das células.
O tratamento é novidade no campo do câncer de mama e é supervisionado e coordenado pela mastologista do Ambulatório de Saúde da Mulher de Jundiaí, Alícia Cardoso (foto acima – à dir). “Esse procedimento congela as células tumorais e já é utilizado em vários tipos de tumores como em câncer de rim, de pulmão, entre outros. O procedimento inclui inserir uma sonda metálica guiada por ultrassom diretamente no tumor, que é congelado e descongelado em ciclos, levando à morte das células cancerosas”, explica a médica. A técnica pode ser uma alternativa à cirurgia em casos selecionados, como tumores menores que 2 cm, oferecendo vantagens como anestesia local e recuperação ambulatorial.
Jundiaí é um dos primeiros cinco centros de estudo no Brasil a iniciar o trabalho de crioablação e foi selecionada por ter uma estrutura de pesquisa reconhecida por conta da Faculdade de Medicina de Jundiaí. “Acreditamos que esse tipo de tratamento seja o futuro no combate ao câncer de mama e é preciso divulgar como ele funciona para que as pacientes possam conhecer essa possibilidade”, aponta dra Alícia. O procedimento realizado em Jundiaí contou ainda com a presença da mastologista Vanessa Sanvido, idealizadora do estudo (foto acima – à esq).
É uma técnica promissora, segura, com estudos iniciais mostrando altas taxas de eficácia. A indicação do tratamento é individualizada e depende das características do tumor e das condições da paciente. A pesquisa sobre a técnica está em andamento, sendo o Brasil um dos pioneiros na América Latina a realizar estudos com crioablação para câncer de mama.
Esse trabalho é da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em parceria com o HCor (Hospital do Coração), sendo uma pesquisa multicêntrica no país. “As pacientes de Jundiaí foram selecionadas após preencherem vários requisitos bem definidos, como tumores identificados em fase inicial, unifocais e com indicação de cirurgia como início do tratamento. Após a aceitação delas em participar do tratamento, é realizado um sorteio pelo sistema para saber em qual lado do estudo a paciente cairá (cirurgia ou procedimento de CRIOABLAÇÃO). Ontem foi realizado os procedimentos de crioablação das primeiras participantes do estudo”, explicou a mastologista.
O estudo busca eliminar as células cancerígenas sem que a paciente precise passar por uma cirurgia invasiva. “Esse procedimento já foi estudado e considerado 100% seguro para tumores de até 2cm. Na atual fase do estudo serão feitas comparações entre as pacientes divididas os dois grupos do estudo (que fizeram cirurgia ou a crioablação). O acompanhamento será feito nos próximos cinco anos visando avaliar e comparar os desfechos oncológicos”, ressaltou a médica.
A pesquisa pretende englobar cerca de 750 mulheres distribuídas igualmente nos dois grupos. A especialista aponta que novas pacientes do SUS de Jundiaí poderão passar pelo procedimento em breve. ”Ainda não há definição de quantas serão atendidas em Jundiaí com esse tratamento, mas a previsão é de que outras pacientes que se enquadrem nos critérios clínicos para passar pelo tratamento sejam atendidas em breve.”
Edilaine Viana, 39 anos, foi uma das pacientes atendidas. “Eu tive um nódulo detectado na mama e, por meio de ultrassom, foi diagnosticado que é câncer. A Dra. Alícia, que me acompanha, comentou sobre o congelamento como alternativa para pacientes iniciais, eu me voluntariei e estou muito feliz de estar aqui”, disse.
Saiba mais sobre a crioblação
Como funciona: Inserção da sonda: Uma ou mais sondas metálicas, chamadas criosondas, são inseridas no tumor através de um pequeno corte (cerca de 2 mm) e guiadas por ultrassom.
Congelamento: Um gás (como nitrogênio líquido) é bombeado pelas sondas, causando um congelamento rápido e intenso que pode atingir temperaturas de até -150ºC.
Ciclos de congelamento e descongelamento: O processo geralmente envolve ciclos de congelamento e descongelamento para garantir a destruição completa das células tumorais.
Margem de segurança: É crucial que a área congelada ultrapasse os limites do tumor, criando uma margem de segurança para eliminar completamente o tecido canceroso.
Destruição celular: O congelamento extremo destrói as células tumorais diretamente pela desidratação e formação de cristais de gelo intracelulares, além de mecanismos indiretos como a interrupção do fluxo sanguíneo e a resposta inflamatória.
Vantagens e aplicações
Minimamente invasivo: Evita cirurgias mais amplas e cicatrizes maiores, com resultados estéticos potencialmente melhores.
Ambulatorial: Pode ser realizado em regime ambulatorial, sem necessidade de internação, facilitando a recuperação.
Anestesia local: O procedimento é feito sob anestesia local, o que é uma vantagem em relação à anestesia geral exigida em algumas cirurgias.
Casos selecionados: É uma alternativa para tumores iniciais, geralmente com menos de 2 cm, e pode ser uma opção importante para pacientes com comorbidades ou que preferem evitar cirurgias.
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