quinta-feira, 4, junho, 2026, 04:18
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Motorista que bloqueou Rodoanel confessa que inventou história de falsa bomba, diz polícia

FÁBIO PESCARINI

(FOLHAPRESS) – O motorista Dener Laurito dos Santos, 52, que no último dia 12 parou uma carreta atravessada no Rodoanel de São Paulo sob a alegação de que havia sido assaltado e que estava com uma bomba na cabine do veículo, confessou à polícia que tudo não passou de uma história inventada por ele.

Segundo o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, que está no comando interino da Segurança Pública do Estado, o motorista “fez tudo” para chamar atenção.

O condutor mesmo teria criado a falsa bomba, se amarrado, e jogado uma pedra no vidro do caminhão, segundo a polícia.

As possíveis motivações para a farsa ainda não foram divulgadas.

O motorista foi resgatado pelo Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), da Polícia Militar, responsável por detonar explosivos.

A rodovia precisou ser interditada, a Polícia Militar deslocou helicóptero até a estrada que faz a ligação à rodovia Presidente Dutra e, além do esquadrão antibombas, foi deslocado ao local atiradores de elite.

Segundo o Nico, o motorista foi convocado a prestar novo depoimento nesta quarta-feira, pois havia contradições ao que havia dito no dia da confusão no rodoanel.

Em nota à Folha de S.Paulo, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) infirmou que o homem foi indiciado por falsa comunicação de crime, conforme o artigo 340 do Código Penal. “As investigações continuam sob responsabilidade da Dise de Taboão da Serra para o completo esclarecimento dos fatos e a devida responsabilização criminal do indiciado”, destacou a secretaria.

Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da TV Record, transmitida no domingo (16), o condutor declarou que não se lembrava do momento em que a bomba foi colocada na cabine do caminho. Disse que havia sido colocado na parte de trás da cabine, onde fica a cama usada para descanso. “Tem a cortina, só escutava barulho. [Mas] fechou e não ouvia [mais nada]”, afirmou, na entrevista.

O caminhão ficou atravessado no km 45 do rodoanel, em Itapecerica da Serra, em um caso que era tratado como tentativa de roubo pela polícia.

“Eu chorava, tossia, não conseguia falar por causa do gás”, disse Dener na entrevista, sem especificar a qual gás se referia.

O caminhoneiro estava viajando desde 12 de outubro, quando saiu de Quatro Barras (PR), com uma carga de explosivos que levou ao Peru. No dia 5 de novembro, começou a viagem de volta.

Dener contou para os policiais no primeiro depoimento que seguia pelo rodoanel quando um dos ocupantes de uma caminhonete se levantou a caçamba, teria lançado uma pedra e atingido o vidro dianteiro do caminhão. E que dirigiu por um trecho até parar em um acostamento.

Ainda segundo o relato, foi nesse momento que bandidos teriam feito a abordagem —pelo menos três entraram na cabine, segundo ele na semana passada.

O homem afirmou que, assim que os bandidos o dominaram, um deles assumiu o volante do caminhão.

Eles exigiram que o caminhoneiro entrasse em contato com a empresa. Segundo a versão de Dener para os policiais, ele sinalizou o sequestro para o funcionário que atendeu a ligação, momento em que passou a ser agredido.

“Tomei muito chute na costela, no joelho, pisaram no meu pé, torceram meu braço”, afirmou o motorista na entrevista ao programa de televisão.

Segundo a polícia, o motorista relatou ter ouvido que o caminhão seria usado para transportar armas que estavam em poder dos bandidos, entre eles fuzis e espingardas. Os criminosos também chegaram a falar que pretendiam seguir para a empresa, sequestrar um outro funcionário e pedir resgate.

Os bandidos teriam desistido do roubo e fugiram, ainda de acordo com Dener.

Ele disse que bateu a cabeça no asfalto quando foi retirado do caminhão por um agente do Gate.

“Senti a porrada na cabeça, no chão. Achei que tinha estourado uma bomba”, afirmou. O motorista foi levado ao Hospital Geral de Itapecerica da Serra, desorientado.

Ao ser resgatado pela Polícia Militar ele estava com uma das mãos livres, pois outros caminhoneiros que passavam pelo local conseguiram desamarrá-la.

Ele fez o teste do bafômetro, que deu negativo. “Perguntaram se tinha tomado álcool, rebite, drogas. Nem beber eu bebo”, disse o motorista, que usava uma camisa de banda de rock na entrevista para a TV e afirmou que foi julgado por seu estilo.