Guardinha de Jundiaí busca alternativas para colocar jovens no mercado de trabalho
A Guardinha de Jundiaí, instituição que atua na inserção de jovens em situação de vulnerabilidade social no mercado de trabalho, está enfrentando dificuldades para abrir novas inscrições devido à escassez de vagas em escolas públicas com período noturno. A situação tem impedido que adolescentes consigam conciliar estudo e trabalho como aprendizes.
Segundo a instituição, as mudanças recentes no modelo educacional, com a ampliação do ensino em período integral, têm impactado diretamente o público mais vulnerável – justamente os jovens que mais dependem da escola pública para conseguir trabalhar durante o dia e estudar à noite.
“Para muitos desses jovens, a ausência de uma alternativa no período noturno inviabiliza a inserção no mundo do trabalho, aprofundando desigualdades e limitando oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional”, destacou a organização.
A Guardinha informou que, neste momento, não está abrindo inscrições para novos participantes.
A expectativa é que, após o retorno das aulas, a partir de 2 de fevereiro, seja possível reavaliar o cenário e, havendo condições favoráveis, abrir novas vagas com divulgação oficial da faixa etária e requisitos.
Reunião com conselhos municipais
Para buscar soluções, a instituição agendou uma reunião para o dia 19 de janeiro com os conselhos municipais, especialmente o CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente).
O encontro tem como objetivo tratar da inclusão produtiva dos jovens e buscar, junto à Diretoria de Ensino, alternativas para priorizar os adolescentes atendidos pela Guardinha.
Recentemente a Prefeitura de Jundiaí manifestou apoio à Guardinha, em suas ações para educação e treinamento de jovens ao mercado de trabalho.
Posicionamento da Seduc-SP
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) esclareceu, por meio da Unidade Regional de Ensino (URE) Jundiaí, que todo estudante que necessitar tem vaga garantida na rede pública de ensino, sendo sempre direcionado à escola mais próxima de sua residência que possua vaga disponível para o ano/série pretendido.
A pasta ressaltou ainda que, para frequentar as aulas no período noturno, é necessário que o responsável apresente uma declaração de vínculo empregatício emitida pelo empregador.
Caso a escola que ofereça aulas noturnas esteja a mais de 2 km da residência, será disponibilizado transporte escolar, conforme a Resolução SE nº 27.
A URE Jundiaí informou que, no momento, não há estudos para a ampliação do Programa de Ensino Integral (PEI) no município e que a rede permanece à disposição da comunidade escolar para eventuais esclarecimentos.
A situação levanta um debate importante sobre políticas públicas de inclusão e o direito de jovens em situação de vulnerabilidade social conciliarem educação e trabalho protegido, especialmente em um momento de transformações no modelo educacional do estado.
História
Em setembro de 1978 o Promotor Público e Curador de Menores da Comarca de Jundiaí, Dr. José Carlos Vieira, com o compromisso voltado para o adolescente iniciou um trabalho preparatório para posterior fundação da AEDHA, carinhosamente chamada, “GUARDINHA”, em fevereiro de 1979.
A Guardinha já contribuiu para a formação de muitos jovens na cidade que se tornaram empresários, gerentes de empresas, bancários e outras profissões.


