quinta-feira, 4, junho, 2026, 06:50
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Bolsonaro segue com tratamento contra pneumonia

Por Flávia Said

(ESTADÃO) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star, em Brasília, para o tratamento de uma pneumonia. Segundo boletim médico divulgado na tarde deste domingo, 22, nas últimas 24 horas, Bolsonaro manteve-se estável, afebril e sem intercorrências. Ele segue sendo tratado com antibióticos aplicados diretamente na veia e recebe suporte clínico intensivo e fisioterapia. Continua sem previsão de alta hospitalar.

“O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva do hospital DF Star, em tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração. Nas últimas 24 horas, manteve-se estável clinicamente, afebril e sem intercorrências. Segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora. No momento, sem previsão de alta hospitalar”, diz a íntegra do informe médico.

O boletim é assinado pelo cirurgião geral Claudio Birolini; pelos cardiologistas Leandro Echenique e Brasil Caiado; pelo coordenador da UTI Geral do DF Star, Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Jr.; e pelo diretor-geral do hospital, Allisson B. Barcelos Borges.

O ex-presidente foi hospitalizado no último dia 13, com broncopneumonia bacteriana bilateral, decorrente de episódio de broncoaspiração, quando há a entrada de conteúdo das vias digestivas, como alimentos ou secreções, nas vias respiratórias, o que pode causar infecção nos pulmões. Ele chegou à UTI com água nos pulmões, pela aspiração de líquido do estômago, em decorrência dos soluços frequentes que ele apresenta.

Pode ser uma imagem de hospital e texto

Foto do filho Carlos Bolsonaro ao lado do pai

No sábado, 21, Bolsonaro completou 71 anos de idade, em meio à pressão para que seja transferido para prisão domiciliar. Ele recebeu parabéns e mensagens de familiares e apoiadores na porta do hospital. Preso desde janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado para permanecer no poder após as eleições de 2022.

Segundo o Estadão, interlocutores de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), avaliam que o ministro está inclinado a transferir Jair Bolsonaro para a prisão domiciliar. Ele estaria levando em conta a condição precária de saúde do ex-presidente. Não há, porém, previsão de quando a medida seria tomada.

Na terça-feira, 17, Moraes recebeu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, para conversar sobre o pedido de prisão domiciliar. O parlamentar demonstrou preocupação com a possível piora do estado de saúde de Bolsonaro se for mantido na Penitenciária da Papuda.

No mesmo dia, a defesa do ex-presidente fez um novo pedido de prisão domiciliar. O pedido anterior dos advogados foi negado pelo ministro no último dia 2.

Filho faz desabafo

Confesso que, por algum motivo, hoje foi um dos dias mais difíceis ao visitar o Presidente Jair Bolsonaro.
Ao entrar no quarto, me deparei com aquele homem forte “apagado” na cadeira, com a cabeça baixa, soluçando enquanto dormia. Precisei recuar.
Fiquei alguns minutos em silêncio, do lado de fora, tentando me recompor, antes de entrar novamente.
Quando voltei, ele continuava da mesma forma. Me aproximei, fiz um carinho em sua cabeça, e ele sequer reagiu. Me explicaram que, por conta das medicações fortes, sua sensibilidade está ainda mais elevada. Ele usa, inclusive, uma pulseira com a indicação: “RISCO DE QUEDA”.
Quando acordou, optei por não falar nada sobre o que está acontecendo aqui fora. Apenas comentei, de forma leve, sobre o novo visual do Augusto Nunes, fato o que arrancou dele um “espanto” ao despertar.
Meu pai segue na unidade semi-intensiva, com a voz fraca, sonolento por conta dos medicamentos e reclamou de respiração debilitada, certamente devido a terceira pneumonia seguida após sua prisão ilegal. Presenciei a coleta de mais de cinco ampolas de sangue para exames.
Fiz a minha parte, com humildade. Ele me disse que gostou da minha presença e que amanhã eu voltaria.
Saio do hospital destruído, como sinceramente não esperava ficar.
Mas seguimos. Amanhã é outro dia.
Carlos Bolsonaro