Quadrilha usa nome do SUS, INSS e da Prefeitura para entrar em residências
Uma leitora procurou a redação do “Jornal da Região” para relatar um esquema que, segundo ela, pode estar vitimando outros moradores da cidade.
Seus pais idosos foram abordados por indivíduos que se identificaram como assistentes sociais e alegaram precisar atualizar a carteirinha do SUS.
Com esse pretexto, os golpistas entraram na residência, coletaram dados pessoais, realizaram reconhecimento facial e, a partir daí, tentaram contratar empréstimos de R$ 45 mil e realizaram compras em mercados que somaram quase R$ 20 mil em nome das vítimas.
“Se puderem divulgar para que outros idosos não caiam no mesmo golpe, agradeceria”, pediu a leitora.
Recentemente falsos funcionários do INSS e da Prefeitura de Jundiaí visitaram idosos na região da Ponte São João.
O esquema descrito é uma variante sofisticada de um tipo de fraude que tem crescido em todo o Brasil e que combina engenharia social — a manipulação psicológica da vítima — com o uso de dados biométricos para a abertura de crédito.
Os golpistas se valem da confiança que idosos depositam em servidores públicos de saúde para cruzar o limiar da porta, e é justamente dentro da casa que o crime se consuma: documentos são fotografados, rostos são escaneados e, com essas informações, criminosos conseguem se passar pelas vítimas em aplicativos bancários e plataformas de crédito.
Como o golpe funciona
A abordagem costuma seguir um roteiro parecido: o criminoso se apresenta com linguagem formal, menciona um órgão público conhecido — SUS, INSS ou Prefeitura — e cria urgência em torno de uma suposta atualização cadastral ou renovação de documento. Uma vez dentro da residência, o foco é obter o máximo de informações possível: número de CPF, RG, foto do rosto da vítima e, quando possível, senhas e cartões bancários.
Com esses dados, os golpistas conseguem abrir contas em bancos digitais, contratar empréstimos consignados e realizar compras, tudo em nome do idoso, que muitas vezes só descobre o prejuízo dias ou semanas depois, quando começa a receber cobranças ou nota descontos no benefício.
O que órgãos públicos nunca fazem
É fundamental que moradores — especialmente idosos e seus familiares — conheçam o que os órgãos públicos não fazem em hipótese alguma:
O SUS não envia funcionários às residências para atualizar carteirinhas. Qualquer serviço de saúde que exija visita domiciliar é previamente agendado e comunicado por canais oficiais da Secretaria de Saúde.
O INSS não realiza prova de vida em domicílio e não entra em contato por WhatsApp ou telefone para solicitar documentos, fotos ou reconhecimento facial.
A prova de vida hoje é feita de forma automática, pelo cruzamento de dados com outros órgãos do governo.
Visitas domiciliares do INSS só ocorrem em casos excepcionais, devem ser agendadas pelo próprio segurado pelo telefone 135 ou pelo aplicativo Meu INSS, e o funcionário deve ser identificado previamente.
A Prefeitura não envia assistentes sociais às casas sem aviso prévio e sem que o morador tenha solicitado o serviço.
Em caso de dúvida, o morador deve ligar diretamente para a Secretaria de Assistência Social antes de abrir a porta ou para a Guarda Municipal no telefone 153.
Nenhum órgão público solicita senha bancária, código de acesso ao Gov.br, selfie com documento ou gravação de voz durante visitas ou ligações não solicitadas.
Sinais de alerta: desconfie sempre
Especialistas em segurança e os próprios órgãos públicos orientam que a população fique atenta a uma série de sinais que indicam tentativa de golpe. Desconfie sempre que alguém bater à sua porta sem agendamento prévio alegando ser funcionário público. Verifique o crachá com cuidado — golpistas costumam usar documentos falsificados, muitas vezes com erros de grafia ou logotipos desatualizados.
Nunca abra a porta sozinho: chame um familiar ou vizinho de confiança antes de receber qualquer pessoa estranha. Não forneça CPF, RG, dados bancários ou permita que fotografem seu rosto a quem chegou sem ser chamado. Se sentir pressão ou urgência — “precisa ser agora”, “seu benefício será bloqueado” —, desligue ou feche a porta: essa é uma tática clássica de manipulação. Antes de qualquer coisa, ligue para o órgão mencionado pelo suposto funcionário e confirme se a visita é real.
O que fazer se cair no golpe
Caso o golpe já tenha ocorrido, a orientação é agir rapidamente. A primeira medida é registrar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pelo portal da Polícia Civil.
Em seguida, entre em contato com o banco para bloquear cartões e contestar transações não autorizadas. Se houver empréstimos consignados contratados indevidamente em nome do idoso, acione o Procon e a Defensoria Pública. Para casos envolvendo o INSS, ligue para o 135 e solicite o bloqueio de movimentações suspeitas. Registre denúncia também no Procon municipal e na Ouvidoria do órgão envolvido.
Familiares de idosos têm papel fundamental na prevenção. Converse regularmente com seus pais e avós sobre esses esquemas, oriente-os a não abrir a porta para desconhecidos sem avisar alguém e combine uma palavra-chave de segurança para usar em situações de dúvida.
Qualquer pessoa que tenha informações sobre a quadrilha mencionada pela leitora pode denunciar pelo telefone 197 (Polícia Civil) ou 190 (Polícia Militar), garantindo anonimato se desejar.


