quarta-feira, 1, julho, 2026, 16:09
GERALJUNDIAÍ

Jundiaiense busca ajuda na Tunísia para recuperar seu filho de 3 anos

A jundiaiense Fabiola Viviani Santos Trabelsi está vivendo um drama na Tunísia nos últimos dias. Ela está no país para tentar recuperar seu filho de 3 anos, após passar mais de um ano e meio longe da criança. Na segunda-feira (18) ela terá uma audiência para tentar reaver a guarda, mas está sem nenhuma assistência no país. “Não tenho advogado, nem tradutor. A Embaixada diz que não pode fazer nada”, conta.

No final de 2024, ela foi para a Turquia apenas conhecer a família paterna do seu bebê, à época com 1 ano. Os avós paternos pagaram a passagem e garantiram que, após alguns dias, comprariam sua volta para o Brasil. Mas tudo mudou quando ela chegou lá.

Durante a viagem, que durou três meses, ela contou que foi mantida dentro da casa da família do pai da criança, sem comunicação com a família no Brasil. Durante todo o tempo ela ficou sem seus documentos e o passaporte dela e do bebê. Além disso, ela ficou impedida de voltar para casa e foi afastada do próprio filho.

Quando questionou para voltar ao Brasil, os sogros dela compraram passagem para Paris, dizendo que ela e o marido teriam que trabalhar para pagar pela passagem de ida e que depois do valor ser devolvido eles poderiam voltar ao país. O casal acabou sendo forçado a deixar o menino com os pais dele e foram para França, depois para outros países em busca de trabalho.

Durante esse processo, ela alega que o marido passou a fazer uso de bebida alcoólica e entorpecentes e ameaçava a esposa para pagar a dívida com o pai, caso contrário denunciaria Fabíola por estar trabalhando ilegalmente.

Em certo momento ela passou a apanhar do marido e procurou uma ONG que ajuda mulheres vítimas de violência doméstica, onde foi acolhida e protegida. O marido então voltou para a casa dos pais na Tunísia, e de lá fazia pressão para que ela pagasse por itens para o bebê.

Ela se separou, arrumou emprego e tenta se manter para conseguir recuperar a guarda do filho. Em abril, a patroa de Fabíola conseguiu pagar uma passagem para que ela viesse ao Brasil, onde ficou por 25 dias. No último dia 11 ela saiu do Brasil e levou três dias para chegar à Tunísia, pois segunda-feira (18) ela terá uma audiência sobre a guarda do filho, mas não tem advogado nem tradutor.

Nesta quinta-feira (14), conseguiu rever seu filho após um longo período, mas o marido disse que só deixaria que ela ficasse com o menino se eles reatassem o casamento. Ela negou e quando tentou sair com a criança, a família paterna chamou a polícia. Na delegacia, o menino foi arrancado dos braços da mãe. O filho mais velho dela, de 12 anos, que está acompanhando a mãe presenciou toda a cena.

“Estou sozinha, sem dinheiro, sem apoio suficiente, sem falar a língua local e com medo. A audiência está marcada mas não tenho tradutor nem advogado. Estou sem dinheiro para hotel”, contou.

Embaixada
O “Jornal da Região” entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores. Em nota a pasta informa ter ciência do caso. “Ainda antes da viagem da interessada à Tunísia, este Ministério prestou-lhe informações sobre como proceder em caso de subtração internacional de menores, e apresentou-lhes as limitações legais da assistência consular prestada pelo Estado brasileiro. Na estrutura do Estado brasileiro, temas relacionados à cooperação jurídica internacional, inclusive no que tange à subtração internacional de menores, estão sob a responsabilidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. A Embaixada do Brasil em Túnis presta assistência consular à brasileira, nos limites previstos na legislação nacional e internacional”, informou o Itamaraty.

Se alguém puder oferecer algum auxílio a jundiaiense pode entrar em contato com ela pelo WhatsApp (11) 95753-7346.