terça-feira, 14, julho, 2026, 09:12
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Caminhoneiros intensificam paralisações e reflexos são sentidos nas estradas

Caminhoneiros autônomos intensificaram nesta terça-feira (14) paralisações em pontos estratégicos do Estado de São Paulo, incluindo o bloqueio da interligação Anchieta-Imigrantes, para a Baixada Santista e na Cônego Domênico, para o Guarujá, em protesto contra o atraso na votação da Medida Provisória 1.343/2026 — a chamada MP do Frete —, que altera as regras do piso mínimo do transporte rodoviário de cargas e cuja validade expira nesta quinta-feira (16).

A categoria ameaça endurecer os bloqueios nesta terça-feira (14), data em que o Senado Federal é esperado para votar o texto, após relatos de que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) estaria tentando modificar pontos do acordo negociado com o governo federal.

Segundo relatos de motoristas que circulam em grupos de mensagens, a Ecovias bloqueou o acesso de caminhões à serra da Baixada Santista por conta da paralisação.

Motoristas de transporte de exportação relataram que “parou tudo” na região e recomendam que colegas não saiam das garagens.

Na manhã de segunda-feira, uma carreta chegou a bloquear o viaduto da Alemoa, na zona portuária de Santos, mas a via foi liberada posteriormente. À noite foi derramado óleo diesel que impediu a circulação de caminhões.

A tensão entre os caminhoneiros cresceu após circularem áudios em que se atribui à senadora Tereza Cristina a intenção de alterar dispositivos do texto da MP, o que teria gerado revolta na categoria.

Em gravações divulgadas nos grupos, motoristas prometem ampliar os bloqueios e há relatos de ameaças de uso de força contra quem tentar furar as manifestações.

 

Em um dos áudios, um caminhoneiro diz que “é para ou leva pedra”, em referência aos bloqueios.

Outros motoristas, no entanto, pedem moderação e evitam vandalismos para não prejudicar a passagem de ambulâncias e veículos de emergência.

O debate interno da categoria também revela divisões entre motoristas contratados sob o regime da CLT e autônomos.

Enquanto os autônomos lideram as paralisações, alguns motoristas CLT relatam estar parados por determinação das empresas transportadoras ou por falta de segurança nas rodovias.

Há ainda discussões sobre a possível transição para modelos de contrato do tipo “PX”, que misturam características de vínculo empregatício e autonomia.

A MP 1.343/2026, editada em março deste ano, reforça os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário, amplia os poderes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e institui piso salarial nacional para motoristas de longa distância.

O texto também prevê anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias após as eleições de 2022.

O governo federal intensificou articulações com lideranças partidárias para pautar e aprovar a medida nesta terça-feira (14), evitando a caducidade da MP na quinta-feira (16).

A Polícia Rodoviária Estadual e a Polícia Militar mantém equipes de prontidão para eventual intervenção no caso de confrontos.

A categoria de caminhoneiros afirma que as paralisações continuarão até a votação da MP no plenário do Senado.

 

Foto: Artesp