terça-feira, 6, outubro, 2026, 00:30
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Michel Temer anuncia apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno

MARIANA GRASSO

(FOLHAPRESS) – O ex-presidente Michel Temer (MDB) divulgou nesta segunda-feira (5) em suas redes sociais um vídeo no qual anunciou seu apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.

Na gravação, Temer afirmou que o resultado das urnas demonstrou desejo de mudança por parte do eleitorado.
“As urnas falaram. O povo brasileiro, autoridade única da democracia, deixou claro que deseja mudança. Quer atenção e respeito”, disse.

Segundo o ex-presidente, os candidatos que compreenderam esse movimento foram reeleitos, enquanto os demais deram lugar à renovação.
Temer afirmou que a renovação apareceu “fortemente” tanto na nova composição do Congresso Nacional como no desempenho de Flávio Bolsonaro, que chegou ao segundo turno em primeiro lugar.

Sem citar adversários, o ex-presidente também criticou o tom do debate político. “A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente.”

Temer encerrou o pronunciamento associando o candidato do PL à ideia de “reconexão”. “Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio. Um bom Brasil a todos.”

Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do presidente Lula (PT), candidato à reeleição.

Hoje com 86 anos, Temer comandou o país de 2016 a 2018. Ele assumiu interinamente a Presidência em maio de 2016, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), de quem era vice, e tornou-se presidente em definitivo após a destituição da petista, em agosto daquele ano.

O processo acelerou o rompimento político entre o ex-presidente e o PT que já estava em curso. Em março de 2016, Temer passou a ser alvo de manifestações contrárias ao impeachment e foi chamado de “traidor” e “golpista” por dirigentes e apoiadores do governo.

O apoio a Flávio Bolsonaro ocorre após anos de interlocução de Temer com Jair Bolsonaro (PL). Em 2018, o emedebista declarou voto no então candidato do PSL no segundo turno da eleição presidencial.

Temer confirmou a escolha em setembro de 2021, durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Disse que não se arrependia do voto e afirmou ter escolhido Bolsonaro porque o então candidato não havia falado mal dele.

 

 

“Eu nunca me arrependo do que faço. Naquele momento, fui levado a dar o voto. Votei em quem não falou mal de mim, perceba que o atual governo nunca falou mal de mim”, disse.

Em 2020, Bolsonaro escolheu Temer para chefiar a missão humanitária brasileira enviada ao Líbano após a explosão no porto de Beirute. O ex-presidente viajou ao país em agosto daquele ano à frente da comitiva.

Em 2021, durante os atos de 7 de Setembro, Bolsonaro atacou o STF. Em discurso na avenida Paulista, afirmou que não cumpriria mais decisões do ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de “canalha”, e disse que o magistrado deveria “se enquadrar” ou deixar o cargo.

Após a repercussão das declarações, o então presidente recorreu a Temer para tentar conter a crise com o Supremo.

Temer viajou a Brasília em um avião da FAB, intermediou uma conversa por telefone entre Bolsonaro e Moraes, indicado por ele ao Supremo em 2017, e ajudou na elaboração da “Declaração à Nação”, na qual o então presidente recuou do tom adotado contra o STF.

A relação, contudo, também foi marcada por divergências. Em janeiro de 2022, em entrevista à CNN Brasil, Temer criticou a condução de Bolsonaro da crise causada pela pandemia de Covid-19.

Disse que o então presidente teria ampliado suas chances de reeleição caso tivesse liderado uma ação conjunta com governadores, Poderes e partidos e classificou como “um equívoco” a postura de Bolsonaro contra a vacinação.

Na eleição daquele ano, Temer decidiu adotar neutralidade no segundo turno entre Lula e Bolsonaro e não declarou apoio a nenhum dos candidatos.

A interlocução entre os dois continuou após a saída de Bolsonaro do Planalto. Em fevereiro de 2024, antes de uma manifestação na avenida Paulista, Bolsonaro procurou Temer para discutir o tom de seu discurso.

Temer recomendou uma mensagem de pacificação e defesa da disputa política pelas urnas, orientações incorporadas à fala. Depois da conversa, Temer também transmitiu a ministros do STF o recado de que Bolsonaro não pretendia radicalizar durante a manifestação.

Em 2025, ao articular governadores de direita e centro-direita em torno de uma candidatura presidencial única para 2026, Temer afirmou que o movimento não pretendia excluir Bolsonaro. Disse que o ex-presidente mantinha “prestígio eleitoral” e que seria difícil para um candidato desse campo enfrentar sua oposição.