sexta-feira, 23, outubro, 2026, 23:58
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Flávio aposta em tom religioso e nacionalista em último programa, e Lula lista acusações contra o rival

LUANA LISBOA

(FOLHAPRESS) – Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) encerraram nesta sexta-feira (23) a propaganda eleitoral de TV do segundo turno com tons distintos. O senador apostou em imagens religiosas e nacionalistas, enquanto o presidente continuou apostando numa série de acusações que tem feito contra o adversário.

O programa de Flávio começou com pessoas tocando o hino nacional em diferentes instrumentos. “Chegou a hora da decisão. Não é sobre mim e outro candidato”, diz o senador. Ele afirma que o eleitor vai escolher o país das próximas décadas e também se quer mudar ou continuar em um sistema que, segundo ele, ninguém aguenta mais.

Flávio agradece o carinho recebido na campanha e diz que os eleitores fizeram dele “um novo Flávio”. A peça mostra cantores sertanejos como Gusttavo Lima, Rodolffo e Zezé Di Camargo, e termina com uma multidão rezando o Pai Nosso ao som do hino nacional. Antes, o senador lembra que o voto é secreto e diz que “ninguém deve ameaçar” o eleitor.

Já o programa de Lula começa com um locutor afirmando que a campanha de Flávio ataca o presidente em “ato de desespero”. Em seguida, diz que o senador defendeu na Justiça o PM que seria o assassino de Ana Clara Gomes Machado, 5, morta por um tiro em Niterói (RJ) em 2021, e exibe depoimento da mãe da menina.

Flávio aparece entre os cinco advogados listados em acórdão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que, em 2024, rejeitou recurso para tirar do júri popular o cabo da PM Bruno Dias Delaroli, que é acusado pela morte. O policial nega que o tiro tenha partido de sua arma e ainda não foi julgado. No debate da Band, Flávio disse que não se pode “criminalizar a advocacia”.

A peça afirma ainda que Flávio homenageou duas vezes o líder de um grupo de matadores de aluguel e repassou dinheiro a um miliciano condenado pela morte de Marielle Franco.

Em 2005, como deputado estadual, o senador entregou a Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega, depois apontado como líder do Escritório do Crime. Uma emenda de R$ 200 mil dele foi negociada com um assessor dos irmãos Brazão, condenados como mandantes do crime, investigado sob suspeita de intermediar a compra da arma.

A propaganda petista volta a dizer que Flávio vai cortar o Farmácia Popular e o Bolsa Família, programas que o senador afirmou em sua propaganda que seriam mantidos. Lula aparece depois agradecendo pela “campanha histórica” e afirma que o Brasil está melhor hoje, mas que ainda há muito a avançar e que o país não vai melhorar com cortes de direitos.

A votação do segundo turno ocorre neste domingo (25). Flávio terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.