quinta-feira, 29, outubro, 2026, 19:46
CIDADESJUNDIAÍ

Ultragaz vai inaugurar em Jundiaí Posto de Biometano

Jundiaí vai receber o primeiro posto de abastecimento de biometano da nova rota verde da Ultragaz. A estrutura será inaugurada no Complexo Lago Azul, no km 64 da Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), pista sentido Capital, em evento marcado para quarta-feira, 4 de novembro, das 9h às 12h30, com a presença da alta cúpula da companhia e de autoridades do setor de transportes e combustíveis.

Com capacidade para abastecer mais de 200 caminhões por dia, o posto integra um projeto da distribuidora para conectar corredores logísticos estratégicos com combustível renovável.

A rodovia escolhida é uma das principais artérias do escoamento de cargas entre a Grande São Paulo, a região de Campinas e o interior paulista, trecho por onde passam milhares de caminhões diariamente.

Jundiaí também foi pioneira em posto para carros elétricos, em parceria com a CPFL Piratininga, mas na Via Anhanguera, no Posto Graal. Na época foi uma grande novidade.

Energia verde

O biometano é obtido a partir da purificação do biogás gerado em aterros sanitários, estações de tratamento de esgoto e resíduos da agroindústria.

Depois de limpo, o produto tem composição próxima à do gás natural e pode ser usado como combustível veicular, inclusive em caminhões pesados.

A vantagem decisiva está na combinação de três fatores: é renovável, aproveita resíduos que de outra forma seriam descartados e queima com emissões menores que o diesel.

Em veículos pesados, o biometano é apontado como o combustível com maior potencial de descarbonização no curto e médio prazo. Isso porque não exige reconstruir toda a infraestrutura de abastecimento nem eletrificar frotas que rodam centenas de quilômetros por dia. Para o transportador, resolve ainda a principal limitação da eletrificação no transporte de carga: autonomia e tempo de recarga.

Caminhões movidos a gás percorrem longas distâncias com um único abastecimento, e a tecnologia apresentada pela Ultragaz no Corredor Verde da TransJordano permite completar o tanque em cerca de oito a dez minutos, com potência elétrica instalada de aproximadamente 40 kVA.

Paulínia foi pioneira

A nova estação não é um movimento isolado. Em 18 de agosto, a Ultragaz inaugurou sua primeira estação própria de biometano, na base da companhia em Paulínia, com capacidade para 20 mil metros cúbicos por dia e atendimento de até 200 caminhões diários. Naquele momento, a estrutura foi desenhada para abastecer os veículos que transportam GLP da própria empresa e deve evitar cerca de 960 toneladas de emissões diretas de CO₂ por ano.

Agora, o modelo avança para a beira da rodovia. “Nossa estratégia é criar corredores verdes. Nossos clientes estão nos pedindo, principalmente aqueles que exportam para a Europa”, afirmou o vice-presidente de Operações da Ultragaz, Guilherme Darezzo, em junho, ao anunciar a aposta em rotas abastecidas com o combustível.

Segundo a empresa, o setor de transporte já responde por cerca de 20% dos clientes de biometano da distribuidora, que tem aproximadamente 700 mil metros cúbicos por dia contratados.

Parte do volume chega a regiões sem gasoduto pelo modelo off-grid, em que o combustível é comprimido e levado por carretas. Cerca de 70% do biometano produzido no país e não injetado na rede é distribuído dessa forma.

O projeto de Jundiaí se soma a iniciativas que começaram a operar nos últimos meses.

Em outubro, a TransJordano inaugurou o Corredor Verde entre o interior paulista e o Porto de Santos, com cerca de 450 quilômetros ligando Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão.

O projeto, financiado com R$ 140 milhões do BNDES, prevê 100 caminhões Scania movidos a biometano até dezembro, com autonomia de até 700 quilômetros, e deve evitar a emissão de aproximadamente 6.486 toneladas de CO₂ equivalente por ano. O combustível é fornecido pela Ultragaz.

Projeto Brasil

Em setembro, a companhia levou o tema ao Sistema Transporte, em Brasília, e apresentou projetos de pontos de abastecimento em rodovias. A lógica é direta: o biometano só se torna competitivo para o transporte de carga quando existe oferta no caminho. Cada novo posto encurta a distância entre a produção e a operação.

Jundiaí está no centro de um dos maiores entroncamentos logísticos do Estado. A cidade é cortada pela Bandeirantes e pela Anhanguera e conecta a capital ao interior, ao aeroporto de Viracopos e ao Porto de Santos pelo sistema Anchieta-Imigrantes. Um posto de biometano nesse ponto amplia o raio de operação de frotas que hoje dependem exclusivamente do diesel.

A estrutura também deve funcionar como vitrine para transportadoras que precisam comprovar redução de emissões a clientes e a mercados mais exigentes, como o europeu, onde critérios de pegada de carbono já influenciam contratos de exportação.

Inauguração em Jundiaí

O lançamento está marcado para quarta-feira, 4 de novembro, das 9h às 12h30, no Complexo Lago Azul, km 64 da Rodovia dos Bandeirantes, em Jundiaí.

A programação reúne a alta cúpula da Ultragaz e autoridades do setor para apresentar o projeto e o papel do biometano na descarbonização do transporte de cargas no Brasil.

Com a estrutura, a distribuidora passa a ter presença comercial em um dos corredores rodoviários mais movimentados do país e coloca o biometano no mapa do abastecimento de beira de estrada, passo considerado decisivo para que o combustível deixe de ser alternativa restrita a frotas cativas e ganhe escala.