quinta-feira, 6, agosto, 2026, 05:20
GERAL

Professores de Jundiaí compartilham experiências

“A educação é uma profissão muito dinâmica. O que você aprende na faculdade, em muito pouco tempo, fica envelhecido. Então, é preciso que as professoras se auto ajudem, estudem, reflitam sobre o que fazem e também estejam em contato com boas práticas.” A orientação vem de Gisela Wajskop, escritora, socióloga, doutora em Educação e uma das referências no país quando o assunto é educação infantil. Ela e outros palestrantes estiveram em Jundiaí para participar do “Compartilhar para Aprender”, evento promovido pelo projeto Diálogos Pedagógicos no dia 23 de setembro, que teve por objetivo promover a troca de experiência entre profissionais da área.

Na ocasião, professores, pedagogos e educadores em geral puderam reciclar seus conhecimentos e aprender mais sobre o universo que abrange a aprendizagem da criança. Na primeira palestra do dia, o pediatra e neonatologista, Dr. Elzo Garcia Junior, falou sobre “Desenvolvimento Neuropsicomotor da criança”, ressaltando que é preciso atenção do profissional da educação para intervir, caso seja necessário. “Cada criança tem um desenvolvimento próprio. Não é porque não fez algo na idade esperada que tem problema. É preciso agir em função dessa criança para que se consiga tirar o melhor dela. Dentro da escola, é de suma importância ter esse cuidado. É preciso haver uma interação com a família, pois essa troca do que está acontecendo é essencial para que se chegue ao especialista e investiguem juntos”.

COMPARTILHANDO CONHECIMENTO

Uma parte do evento, realizado no auditório do colégio Divino Salvador, foi dedicada para os profissionais exporem seus trabalhos, dividindo, assim, as experiências vividas no dia-a-dia. Cleane Aparecida dos Santos, doutora em Educação e diretora da rede municipal de ensino de Jundiaí, foi uma das participantes que inscreveu seu trabalho e falou sobre o uso da fotografia na escola. “Usamos a fotografia para trabalhar a memória e entender o que há por trás da foto, propondo um olhar além dela”, ensinou. Para ela, essa proposta de compartilhar experiências bem sucedidas é maravilhoso. “Que a gente possa se inspirar nelas.”

Para a pedagoga Angelica Niero, eventos dessa natureza são muito importantes. “Fez valer o nome, ‘compartilhar para aprender’. Tivemos aqui profissionais diferentes, de áreas distintas, e todos trouxeram contribuições interessantes para a área da educação”, avaliou ela.
A mesma ideia é endossada por Kiko Mistrorigo, outro palestrante convidado. Criador das animações “Peixonauta” e “O Show da Luna” exibidos aqui no Brasil pelo Discovery Kids e em mais de 80 países, ele também acredita nesse formato de compartilhamento de experiências. “Isso é super importante! Acho que quanto mais a gente proporcionar novidades aos professores e trazer para eles o debate, mais teremos formas diferentes de gerar conhecimento para as crianças. ”

Em sua palestra “São Tantas Perguntas…” (pegando emprestado o bordão de sua personagem Luna), ele discorreu sobre a aplicação do método de observação científica e da importância das animações infantis nacionais nos canais de tevê, pagos ou não. “Funciona falar do Brasil na nossa TV. Basta fazer um conteúdo de qualidade”, disse ele, citando os exemplos de suas produções com a marca da TV Pinguim.

Ele conta que, nesse anos todos, percebeu que pais e filhos pequenos assistem TV juntos, compartilhando e descobrindo o mesmo conhecimento. “Com a Luna, por exemplo, aprendem que é possível aprender ciência de uma forma agradável. As crianças são naturalmente curiosas e, até no bom sentido, ansiosas para querer saber a origem das coisas. Elas estão descobrindo o mundo e esse é um momento muito valioso. É a hora que a gente proporciona para elas um ‘método’ que possam aplicar para o resto da vida. Assim, elas vão aprender a aprender”, ensina ele.

E, de preferência, aprender brincando. Segundo Gisela, cuja palestra “Brincar para Aprender” fechou o evento, a brincadeira é muito falada, mas pouco estudada e trabalhada nas escolas. “Difundir uma concepção um pouco mais qualificada sobre o papel da brincadeira ‘faz de conta’ como um conteúdo de ensino nas escolas da infância é fundamental”, avalia ela, que é fundadora do Instituto Singularidades, da Escola do Bairro, colunista da Revista Crescer e tem artigos referentes à educação infantil publicados pelo mundo.

“A gente vive numa sociedade que exige crianças criativas, que conseguem ser maleáveis, que se colocam no lugar do outro e, quando elas aprendem a brincar, elas aprendem também essas competências humanas. Na brincadeira, elas experimentam hipóteses a respeito de conceitos. Elas aprendem a ser gente quando brincam”, destaca Gisela.

Para Lia Mara dos Santos, pedagoga e organizadora do evento, o profissional de educação precisa dessa reciclagem, interação e troca de experiências. “Tudo isso é muito rico. Tenho certeza que os professores que por aqui passaram saíram diferentes da maneira como entraram: mais animados e melhores para ajudar as crianças a aprenderem e se desenvolverem.”

Mais informações sobre o evento e o projeto, estão disponíveis no site dialogospedagogicos.com.br