sexta-feira, 5, junho, 2026, 04:28
GERAL

Jovem tira a própria vida por causa de depressão

Uma família de Várzea Paulista realizou neste domingo (18) o enterro de um jovem de 29 anos, que tirou a própria vida por não suportar mais a depressão. A família ficou inconformada, porque fez de tudo para tentar ajudar o rapaz.

V.N. vinha fazendo tratamento, mas sem sucesso. Os parentes, do Jardim América 3, encontraram o rapaz, que era pintor, morto dentro de casa.

Esse é mais um dentre vários casos registrados nos últimos meses na região. Já ocorreram suicídios por causa da depressão em Jundiaí, Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista e Itatiba, de diferentes maneiras. O que tem surpreendido é que cada vez mais são jovens que estão tirando a própria vida. Um dos mais recentes ele tinha 18 anos. Também houve de uma jovem de 26 anos, considerada muito bonita pelos amigos que ficaram surpresos e não perceberam a moça estava sofrendo.

A depressão não escolhe classe social ou idade. Tem afetado qualquer pessoa e não adianta os amigos falarem para se levantar da cama e sair para fazer as coisas.

Parentes do jovem que se matou em Várzea Paulista pediram ao “Jornal da Região” para publicar o caso dele, para que sirva de alerta para a população de que há muitas pessoas na mesma situação pedindo “socorro” silenciosamente. “Não desejamos o que estamos passando a ninguém”, comentou um familiar do rapaz.

É preciso falar

“Depressão é uma doença que faz a gente parar de enxergar a realidade que está a nossa volta. Por mais que alguém diga que você é bonita, bem-sucedida, nada disso adianta quando a gente está com esse defeito na cabeça, que diz exatamente o contrário”, conta Nauzila Campos, de 25 anos. A jornalista, advogada e modelo convive com a doença desde 2015.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que é preciso falar dos casos de depressão que levam ao suicídio. Os casos estão aumentando no mundo todo.

“O problema da depressão é que, mesmo que ela não seja crônica, ela é um fantasma que fica ali na moita, à espreita, pronta para atacar novamente”, acrescenta Nauzila. Em uma das crises, a advogada ficou horas vagando pelas ruas. Hoje, ela usa as redes sociais para falar do problema.

A coordenadora da Comissão de Estudo e Prevenção ao Suicídio da Associação Brasileira de Psiquiatria, Alexandrina Meleiro, destaca que a falta de conhecimento faz com que o assunto se torne tabu, por isso, é tão importante discutir o tema. “Só sabe o que é depressão quem já passou ou está passando [por isso]. Quem está de fora claro que tem preconceito: é por que não tem o que fazer, é por que é preguiçoso. Então, [o doente] tem mil rótulos.”

O quadro de diminuição de autoestima, tristeza, desânimo e perda cognitiva é resultado de alterações nos neurotransmissores. “Então, a pessoa fica mais lenta nas reações emocionais, no sono, no peso que pode alterar para mais ou para menos. Uma infinidade de sintomas vai expor o quadro depressivo”, conta Alexandrina.

Segundo a OMS, a depressão será em uma década a doença que mais vai afastar as pessoas do seu dia a dia.

Busca de ajuda

Em Jundiaí o Centro de Valorização da Vida atende pelo telefone (11) 4521-4141 ou pessoalmente, na avenida dos Ferroviários, nº 2.222, ao lado do Poupatempo, quem está enfrentando problemas. Os familiares de pessoas com depressão também podem buscar ajuda, já que são afetados diretamente pelo problema.