Banco de Alimentos tenta salvar 18 toneladas de comida

Toda semana os supermercados, atacadistas e restaurantes de Jundiaí jogam no lixo cerca de 18 toneladas de comida, que poderia ser aproveitada por comunidades carentes. Com base em uma lei do prefeito Luiz Fernando Machado, os alimentos podem ser encaminhados para um Banco de Distribuição antes que se estrague. Os alimentos devem estar bons para o consumo da população.

Na quinta-feira (20) a Prefeitura deu início à distribuição das Cestas Verdes, com os kits montados pelo Banco de Alimentos para as famílias cadastradas no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) São Camilo.

O projeto, ainda em período de testes, é desenvolvido pela Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS) com apoio da Fundação Municipal de Ação Social (Fumas), e deve passar a funcionar regularmente no início de 2019. O objetivo é proporcionar o aproveitamento de uma parte dos alimentos perecíveis no município antes da chegada ao consumidor final: em torno de 18 toneladas por semana.

Como vai funcionar

O Banco deve funcionar assim: às quartas-feiras, a UGADS recolhe as doações dos produtores do CEASA Jundiaí-ECAJ (Entreposto Central de Abastecimento Jundiaí) e leva à Fumas, que adequou as instalações de sua Cozinha Industrial para realizar a pesagem, triagem, higienização e embalagem dos produtos.

Com os kits montados, a Fumas faz a entrega às quintas-feiras nos Cras, que se encarrega da distribuição para as famílias cadastradas.

A unidade inicial de distribuição é a do São Camilo, uma vez que o equipamento desenvolve há mais de um ano um grupo de Educação Alimentar, composto por dez famílias, acompanhadas pelos técnicos da UGADS e nutricionista da Unidade de Gestão de Promoção de Saúde (UGPS).

Treinamento

Nos encontros, os participantes aprendem sobre segurança alimentar, aproveitamento de alimentos e receitas, técnicas de preparo e de higienização, tudo isso com o propósito de garantir que a destinação das Cestas Verdes sejam bem aproveitadas.

Variedade

“Os alimentos chegaram no início da tarde de quarta (19) e foram acondicionados na área de recebimento de materiais, para prepararmos os kits, que estamos chamando de cestas verdes”, explicou Raquel Semiramis César, técnica em Nutrição da Fumas.

Batata, tomate, abobrinha, cenoura, beterraba, couve-flor, berinjela, chuchu, laranja, maçã, manga e melão estavam entre os 337 quilos de alimentos doados pelos produtores para as famílias cadastradas.

Cestas Verdes
A gestora do UGADS, Nádia Taffarelo Soares, fez questão de acompanhar o primeiro dia de separação dos alimentos na Cozinha da Fumas. “Nos últimos dois anos, fizemos uma série de visitas para conhecer Bancos de Alimentos de outras cidades. Ver que conseguimos implantar este trabalho em Jundiaí e imaginar o benefício que isso trará à vida de tantas pessoas é muito gratificante”, emocionou-se a gestora, acrescentando que a UGADS recebeu, inclusive, a doação anônima de 100 cestas básicas que também serão destinadas às famílias do Banco de Alimentos.

Para a superintendente da Fumas, Solange Marques, este período de testes também será importante para ter uma ideia do tempo que se leva para o funcionamento de todo o processo e da estrutura necessária para manter o Banco de Alimentos.

“O produtor faz as doações a partir dos alimentos que não considera mais tão atraente para oferecer ao consumidor final, mas ainda estão saborosos e com valor nutritivo para o consumo”, ressaltou. “Nossa equipe está comprometida fazendo a preparação das cestas verdes que chegarão às famílias e, mais adiante, com um reforço em nossa força de trabalho, poderemos também incluir alimentos que possam ser processados e transformados, por exemplo, em um doce ou compota a serem destinadas às famílias”, complementou a superintendente, salientando que o trabalho desenvolvido para o Banco não interromperá a rotina do Programa de Suplementação Alimentar desenvolvido pela Fumas há quase quatro décadas. “Nossa Cozinha Industrial da FUMAS seguirá preparando e fornecendo cerca de 600 refeições diárias em 13 núcleos carentes da cidade”, garantiu.

Além das doações de frutas e legumes feitas pelos produtores do ECAJ, também foram encaminhados pela Unidade de Desenvolvimento de Meio Ambiente (UNIDAM), ligada à Unidade de Infraestrutura e Serviços Públicos (UGISP), cerca de 300 pés de alface colhidos no Viveiro Municipal.

“Como esta doação é maior e é um produto mais perecível, além de enviar as alfaces nas cestas verdes para o CRAS, também vamos enviar para as crianças atendidas pelo PSA nos Centros Comunitários”, acrescentou a também técnica em Nutrição, Silvia Helena Donizete de Lima.

Lúcia Carvalho foi uma das participantes dos encontros no Cras. Feliz com as sacolas com que voltou para casa, a moradora do Jardim São Camilo elogiou a iniciativa. “Meu marido e eu estamos desempregados e a geladeira de casa estava vazia. Agora vou poder pôr em prática todas as técnicas e receitas que aprendi. Estou muito alegre”.