Prefeitura tenta reduzir tempo de exames de Covid-19

Jundiaí contava até o fim da tarde desta quarta-feira (08) com 140 pessoas em isolamento domiciliar, aguardando resultados de exames para saberem se estão com Coronavírus. Não são apenas 140 pessoas doentes, mas seus familiares também sofrem com a situação e pessoas próximas ficam angustiadas.

As decisões tomadas pela atual administração, para tentar salvar vidas e agilizar os resultados, têm sido alvos de ataques de opositores políticos, que iniciaram nas redes sociais acusações de uso indevido das verbas públicas.

O empresário Ricardo Benassi publicou um manifesto defendendo a empresa do tio, André Benassi, a Sapiens Vita – que é uma das pioneiras em exames toxicológicos no Brasil -, por ter sido contratada para importar dos Estados Unidos exames rápidos, que mostram o quadro do cidadão no mesmo dia. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que usou a Valle que tem escritório na China, para conseguir os mesmos exames para usar nos profissionais de Saúde e garantir atendimento rápido para quem está salvando vidas.

Essas pessoas que estão com suspeita de Coronavírus em Jundiaí devem esperar até 15 dias pelo resultado dos exames do Instituto Adolfo Lutz. Sem falar em 18 óbitos aguardando resultados, deixando as famílias desesperadas.

Leitores chegam a questionar o motivo do jornal não divulgar que uma mulher teria morrido de Covid no último final de semana. Ou de um rapaz na segunda-feira. Sem resultado com confirmação, a Saúde não faz lançamento nos registros do Ministério da Saúde e não divulga nos relatórios de dados oficiais.

O próprio ministro, Luiz Henrique Mandetta, já se pronunciou várias vezes que ele está sendo acusado de fazer compras de equipamentos para os hospitais e para os funcionários da Saúde com preços elevados. Mandetta disse que tudo subiu com a falta de EPIs no mercado. Houve aumentos de até 3 mil por cento em alguns itens.

Segundo o ministro ele está trabalhando para salvar vidas, não importa o quanto isso vai custar.

O presidente Jair Bolsonaro também comentou que está tomando o máximo de cuidado nas decisões, para não dar “um tiro no pé”, porque sabe que a Lei de Responsabilidade Fiscal é “dura”.

Redução de tempo 

A Prefeitura de Jundiaí anunciou, na tarde desta quarta-feira (8), que a cidade passa a contar com laboratório credenciado (AFIP) para a realização dos testes para o Novo Coronavírus.

Com a habilitação, os pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) internados pelo Hospital São Vicente de Paulo (HSV) terão a identificação da doença em prazo máximo de 7 dias úteis, menos da metade do prazo que vinha sendo aguardado quando as amostras eram encaminhadas para o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

“Os exames são fundamentais para que a cidade não fique olhando os números pelo retrovisor. Além dos testes rápidos adquiridos, ainda teremos o exame PCR Real Time (Reação de Cadeia de Polimerase) para os pacientes internados no HSV. Esse era um obstáculo grande que conseguimos superar”, destaca o prefeito Luiz Fernando Machado.

Jundiaí passa a contar com processamento de exames de sangue PCR para COVID-19; agilidade para os resultados

 

Para o gestor da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), Tiago Texera, o avanço para o rastreamento da doença é o destaque. “Até ontem, tínhamos que encaminhar as amostrar para São Paulo e aguardar. A pessoa chegava a se recuperar, ir para casa, ou falecer, sem ter o diagnóstico. Com o credenciamento teremos resolutividade e rastreabilidade. Como é sabido, a COVID-19 não tem tratamento específico, mas as demais doenças respiratórias têm. É gestão eficiente e agilidade no diagnóstico”, destaca. O laboratório AFIP já é prestador de serviço do HSV.

Os exames serão colhidos (material de orofaringe) a partir do segundo dia de surgimento dos sintomas, sendo realizados para aqueles pacientes com diagnóstico prévio de SRAG.

Segundo o superintendente do HSV, Matheus Gomes, a atividade impactará positivamente em vários aspectos. “A coleta proporcionará a eficiência nos recursos, podendo até reduzir o tempo de uso dos leitos de UTI”, argumenta.