Correios tentam retomada das atividades

Alguns trabalhadores dos Correios retomaram nesta quarta-feira (16) as entregas de encomendas na região de Jundiaí, nas casas de clientes, apesar da greve da categoria continuar. As cartas simples continuam “presas” no Centro de Distribuição de Indaiatuba. Na tarde desta quarta um grupo de funcionários se reuniu na Praça da Matriz de Jundiaí. Foto da leitora Paulinha Rocha

Nota dos Correios

Desde o mês de julho, os Correios vêm tentando negociar os termos do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021, em um esforço para fortalecer as finanças da empresa e preservar sua sustentabilidade.

Enquanto os sindicatos insistem em manter uma proposta imprudente, tendo em vista a crise atual, a empresa entende que não há margem para medidas incompatíveis com a situação econômica atual e vislumbra uma economia da ordem de R$ 800 milhões ao ano, apenas com o racionamento dos gastos com pessoal: o suficiente para recuperar, em três anos, o prejuízo de R$ 2,4 bilhões acumulados em gestões passadas.

É imprescindível que acordos dessa natureza reflitam o contexto em que são produzidos e, de forma alguma, contribuam para o acúmulo de prejuízos ou falência. As paralisações regulares e inconsequentes, além de afetarem a imagem da instituição e de seus empregados perante a sociedade, trazem prejuízos financeiros não só à própria estatal: grandes e pequenos empreendedores brasileiros contam com o bom funcionamento da empresa para manterem seus negócios vivos, sobretudo no contexto atual.

Em um cenário no qual o desemprego cresce aceleradamente e as incertezas impostas pela crise não apontam qualquer perspectiva, é um feito hercúleo manter uma empresa de porte nacional funcionando sem sacrificar, sobretudo, os empregos de seus trabalhadores. Os Correios têm promovido o saneamento de suas finanças com a transparência de sempre, com foco nas melhores práticas de administração e governança do Brasil e do mundo, consonante com determinações do Ministério da Economia.

Ao mesmo tempo, a empresa luta para atravessar uma crise mundial sem precedentes e busca oportunidades de alavancar seu negócio em um dos poucos segmentos com capacidade de crescimento: o e-commerce. Para isso, os Correios seguem trabalhando a despeito de paralisações: durante fins de semana e feriados, os empregados têm unido forças para garantir a entrega de milhões de objetos.

A transformação da cultura de consumo global aponta para uma urgente necessidade de adaptação e inovação, o que requer dinheiro em caixa. Para que a empresa permaneça firme no caminho da recuperação econômica, os erros das gestões passadas exigem, hoje, medidas racionais: apenas investimentos inteligentes viabilizarão o posicionamento dos Correios como a melhor opção do mercado, prontos para competir em pé de igualdade com outros gigantes logísticos e, assim, garantir sua sustentabilidade.

A empresa aguarda o julgamento do dissídio marcado para o próximo dia 21/9 e, com ele, o retorno dos trabalhadores, cientes da sua responsabilidade para com a sociedade e da sua importância para a prestação de serviços essenciais à população, em um momento tão delicado para o país e o mundo.

 

Entrega de encomenda que estava em Centro de Distribuição, sendo levada para empresa de Jundiaí. Foto de Edson Souza