Mulheres na linha de frente de combate à Covid

Neste dia 8 de março celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Ao longo dos anos, as mulheres vêm assumindo o protagonismo em diversos setores da sociedade. Os números do hospital Pitangueiras, em Jundiaí, mais que confirmam essa tese – dos quase 800 colaboradores, 81% são mulheres. Há setores inteiros, como a enfermagem, onde elas predominam de forma quase absoluta.

Na área de Nutrição, também são a maioria. Com 75 colaboradores apenas 2 são homens. O que todos têm em comum? Há mais de um ano estão lidando diariamente com os desafios impostos pela pandemia.

“Somos profissionais mas também somos esposas, mães e filhas. Enfim, quando saímos daqui nossa vida continua e conciliar trabalho e vida pessoal, em meio à uma pandemia, tem se mostrado um grande desafio para as mulheres da linha de frente do combate à COVID-19”, explica Juliana Mendonça, nutricionista líder do Hospital Pitangueiras.

Segundo ela, o olhar feminino tem sido fundamental para dar soluções criativas aos desafios impostos pela COVID-19 na área de Nutrição. “Os sintomas como a perda de olfato, paladar e a própria falta de ar interferem diretamente na alimentação. Foi extremamente difícil lidar com isso quando tudo começou, não só porque era algo novo, como também havia poucas referências para a gente se basear. Com o passar dos meses, fomos reunindo informações e aprimorando o conhecimento no tratamento dos acometidos pelo vírus. Implementamos ações desde as mais simples, como a inclusão de um limão nas refeições para ativar o paladar, passando por compartilhar com os pacientes o menu com a programação alimentar antecipadamente, até enviar bilhetinhos de incentivo junto com as refeições”, explica.

Toque feminino

Outra ação visando aproximar as nutricionistas dos pacientes foi o envio de vídeos exclusivos disponibilizados por celular aos pacientes do hospital. “Melhoramos muito a empatia e bem-estar para todos”. Alguns pratos especiais e eventuais atendimentos de pedidos individuais também fazem parte da rotina. “Lembro o caso de um paciente portador de síndrome de Down acometido pela COVID-19 que referiu à nutricionista o desejo de comer um um hambúrguer. Então nossa cozinha preparou o lanche, as batatas fritas e o refrigerante. Foi um dia muito feliz para ele e para nós também, por poder realizar esse desejo e tornar seu dia mais leve”, recorda Juliana.

Parceria com o corpo clínico

A interface com a equipe médica é outra importante função da área de Nutrição. “Quando um paciente começa a ter piora para respirar, um dos primeiros setores a detectar isso é a Nutrição, pois o ato de comer fica comprometido. E nas reuniões com a equipe médica vamos passando as atualizações individuais que permitem o monitoramento preciso de cada situação”, revela a nutricionista.

Equipe estruturada

Acostumadas a estarem sempre pensando no paciente, muitas vezes são elas quem precisam de atenção. É nesse momento que o suporte emocional das mulheres da equipe faz toda a diferença. “Nossa equipe é muito capacitada em cuidar de cada paciente, mas o olhar precisa se voltar para cada profissional também. Realizamos conversas diárias sobre as atualizações das unidades de internação às quais somos responsáveis e sobre o impacto e os desafios na rotina profissional. E, sempre que necessário, redistribuímos tarefas para garantir a segurança física e emocional de cada profissional. Buscamos sempre tratar cada caso com empatia e acolhimento – isso faz toda a diferença para tocar o dia a dia”, conta.

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