Surto de Covid atinge 374 presos em penitenciária de Araraquara

MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) – O avanço da pandemia em Araraquara, que implantou lockdown para tentar frear a disseminação da Covid-19, foi sentido também na penitenciária da cidade do interior paulista, que vive um surto que já atingiu 1 em cada 5 presos e provocou uma morte.

Com 1.647 detentos, a penitenciária masculina da cidade registra atualmente 374 casos do novo coronavírus, número que pode aumentar porque ainda há 209 presidiários aguardando os resultados dos exames. Dos diagnosticados com a doença, 80 já cumpriram o prazo de isolamento.

Hoje, nenhuma das 178 unidades prisionais do estado tem um cenário que preocupe tanto quanto o de Araraquara, de acordo com a Secretaria da Administração Penitenciária.

O óbito registrado foi o de um detento de 57 anos, que morreu ao dar entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Xavier na última segunda-feira (22), de acordo com a Prefeitura de Araraquara. Ele tinha comorbidades.

Os presos na cidade da região central do estado já tinham passado por testagem em janeiro, quando foi encontrado apenas um caso positivo.

Mas, com a falta de políticas nacionais de combate à pandemia e a circulação da nova variante da doença, que fizeram disparar o total de casos e óbitos em Araraquara a partir do final de janeiro, os presos passaram por nova testagem a partir de fevereiro, quando começaram a ser encontrados todos esses casos.

“O cenário acompanha o que temos visto na localidade. Araraquara passou por um momento difícil, ainda está, mas cremos na melhora por conta das medidas restritivas”, disse Nivaldo Cesar Restivo, secretário da Administração Penitenciária.

Os presos que têm diagnóstico de Covid-19 são separados dos demais detentos na enfermaria da unidade prisional. Se o espaço for pequeno, a administração passa a usar celas de forma gradativa, até chegar ao ponto de isolar um pavilhão todo para atender os casos positivos. Foi o que aconteceu, por exemplo, num surto em Sorocaba, ainda no ano passado.

“O ambiente carcerário pode potencializar o surgimento de doenças contagiosas, respiratórias e dermatológicas. Lamentamos, óbvio, cada uma das mortes, mas as medidas adotadas têm surtido efeito muito favorável, já que a taxa de letalidade é de 0,31%, bem abaixo da população não privada de liberdade”, afirmou o secretário.

Em todo o sistema prisional paulista, que abriga 212.372 detentos, 40 presos morreram desde o início da pandemia, segundo a secretaria. A morte do detento registrada na última segunda-feira foi a primeira em Araraquara.

Já entre os funcionários, foram registrados 60 óbitos no estado, de um total de 34.800 servidores nas unidades prisionais. A testagem nos detentos de Araraquara terminará nesta quinta-feira (25).

Em 30 das prisões paulistas, não houve nenhum caso de detento contaminado desde o início da pandemia.

Araraquara registrou, desde o início da pandemia, 316 óbitos decorrentes da Covid-19. O mais recente deles foi de um homem de 61 anos, com comorbidades, que estava internado desde o último dia 11.

O lockdown adotado na cidade fez cair o total de novos casos da doença, assim como a média móvel de mortes.

Decretado a partir de 21 de fevereiro, com restrições mais severas nos sete primeiros dias, o lockdown foi a saída encontrada pela prefeitura para tentar frear o avanço de casos e mortes e a falta de leitos hospitalares para atender os pacientes diagnosticados com a Covid-19.