Depois de 20 anos, caso Toninho chega à Corte Interamericana
Um pedido de investigação sobre o assassinato do arquiteto Antônio da Costa Santos, o Toninho, prefeito de Campinas, ocorrido há 20 anos, será protocolado neste sábado (11) na Corte Interamericana de Direitos Humanos, que é um órgão judicial autônomo com sede em San José, na Costa Rica. A Corte Interamericana é acionada quando todos os agentes da Justiça de um Estado esgotam suas investigações e não chegam à autoria dos crimes em inquéritos.
Vale lembrar que a Corte Interamericana tem como propósito aplicar e interpretar a Convenção Americana de Direitos Humanos e outros tratados de Direitos Humanos. Faz parte do chamado Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O recurso jurídico, adotado pela família de Toninho, surge como um sopro de esperança, justiça e resposta ao assassinato ocorrido na Avenida Mackenzie, no dia 10 de setembro de 2001, quando Toninho retornava de um shopping para casa, sozinho, em seu carro, no início da noite.
O crime deixou a população de Campinas chocada e indignada. Mesmo após duas décadas, os motivos da trágica ocorrência não foram esclarecidos e todos ainda se perguntam: “Quem matou Toninho?”.
Histórico
Toninho ocupou o cargo de prefeito por oito meses e dez dias, em 2001, pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Antes disto, foi eleito vice-prefeito de Campinas em 1989. Na época, Toninho denunciou esquemas de corrupção envolvendo empreiteiras e acabou pedindo desligamento do cargo por questões éticas em 1990, enquanto era vice-prefeito e secretário Municipal de Obras.
Fora do governo, entrou com ações populares na Justiça e fez denúncias ao Ministério Público contra políticos e grandes empreiteiras que eram, no período, responsáveis por obras gigantescas em Campinas. Decidiu ser candidato a prefeito e elegeu-se em 2001. Em poucos meses, intensificou sua luta contra desvios dos cofres públicos e especuladores imobiliários.
O preço foi alto. Toninho foi assassinado no dia 10 de setembro de 2001. Nada foi roubado dele, apenas uma pasta com documentos desapareceu do carro que dirigia. Há 20 anos, a família e os amigos lutam por investigações que apurem o crime, considerado como sendo de cunho político.
Texto: Gilson Rei/ Correio Popular


