Cervejas já estão mais caras

DANIELE MADUREIRA

(FOLHAPRESS) – Os consumidores já estão pagando mais pelas cervejas. A cervejaria Ambev, dona de marcas como Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia e Stella Artois, acaba de aumentar o preço de seus produtos.

Segundo apurou a reportagem com donos de restaurantes em São Paulo, desde sexta-feira (1º) houve aumento de 5% a 6% em chope e cervejas, incluindo embalagens descartáveis.

Outros comunicados aos quais a reportagem teve acesso falam de repasses ainda neste sábado, para quem adquirir novas encomendas das fábricas.

A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) confirma o aumento de preços e afirma que o reajuste deve vir alinhado com a inflação acumulada nos último 12 meses, em torno de 10%.

No comunicado enviado a clientes e distribuidores, ao qual a reportagem teve acesso, a cervejaria -que concentra 60% de participação de mercado no país- afirma que o reajuste vai seguir, “em linhas gerais, a variação da inflação, variação de custos, câmbio e carga tributária”.

De acordo com o comunicado, “os reajustes podem variar entre regiões, marcas, embalagens e segmentos”.

“Reforçamos o nosso compromisso com a competitividade das nossas marcas no mercado, visando sempre a boa performance do volume de vendas da indústria”, diz a Ambev no comunicado.

O mercado de cerveja está estagnado: segundo a consultoria Euromonitor, este ano a venda de cervejas no Brasil deve atingir R$ 197,97 bilhões, uma alta nominal de 7,3% sobre 2020, sem descontar a inflação.

Na opinião de Marcelo Balloti Monteiro, analista do setor de bebidas da Lafis Consultoria, a pressão de custos está bastante elevada, em especial, de matéria-prima e energia.

“Mas, em um primeiro momento, o impacto do aumento de preços deve ser menor na demanda, porque ocorre em um momento de retomada de diversos eventos e com a aproximação das festas de fim de ano”, afirma.

Questionada pela reportagem, a Ambev afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que se trata de um aumento natural, que ocorre todo ano. A empresa afirma que houve reajuste no ano passado, mesmo em meio ao período mais crítico da pandemia, com parte dos bares e restaurantes fechados. Mas, neste caso, o aumento não atingiu as embalagens retornáveis, diz a cervejaria.

Agora, o aumento é generalizado, para diversas embalagens e marcas. A Ambev não informou, porém, qual a faixa de reajustes. Disse apenas que os reajustes vêm ocorrendo “nas últimas semanas”.

As rivais Hineken e Itaipava também foram questionadas sobre aumento de preços, mas não retornaram até o fechamento desta reportagem.

A Ambev vem tentando crescer fora do mercado de cervejas. Em agosto, a companhia anunciou a criação de uma nova divisão, chamada “Future Beverages and Beyond Beer” (bebidas do futuro e além da cerveja, em tradução livre).

A disparada na venda de bebidas durante a pandemia fez com que os consumidores passassem a diversificar o portfólio alcoólico, testando novas marcas e categorias até então vistas como nicho pela companhia.

Cresceu especialmente o consumo de vinhos e de águas com gás alcoólicas e saborizadas (as “hard seltzers”), fora as cervejas de baixo teor alcoólico e as premium -categorias que têm o público jovem e o feminino como alvo. Este é o mercado ao qual tem se dedicado a principal rival da Ambev, a Heineken.

A marca holandesa, por sinal, se tornou a favorita do brasileiro, segundo pesquisa do banco Credit Suisse divulgada em janeiro. Mas é quase 50% mais cara que a Skol, da Ambev, a mais consumida.

Segundo analistas do setor, a Ambev vem perdendo competitividade com as suas marcas “mainstream” (comuns), como Skol, Brahma e Antarctica, enquanto as cervejas premium, vinhos e outras bebidas de baixo teor alcoólico crescem.

Quais cervejas estão mais caras

Adriática
Andes
Antártica
Beck’s
Berrió do Piauí
Bohemia
Brahma
Budweiser
Caracu
Colorado
Corona
Esmera de Goiás
Franziskaner
Goose Island
Hoegaarden
Kona
Leffe
Legítima
Magnífica do Maranhão
Michelob Ultra
Modelo
Nossa
Original
Patagonia
Polar
Serramalte
Serrana
Skol
Spaten
Stella Artois
Três Fidalgas
​Wäls

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