Leitora faz homenagem ao Papai Noel Luizão de Itatiba, vítima da Covid-19
A leitora Marianne Rosa Moterle enviou uma carta em homenagem ao Papai Noel Luizão, que por anos fez a alegria das crianças de Itatiba. Ele foi vítima da Covid este ano.
Leia abaixo a homenagem:
Um Natal sem Noel
O Natal deste ano será um pouco triste no mundo todo, mas principalmente em Itatiba.
Há quem diga que Papai Noel mora no Polo Norte, mas com certeza Papai Noel é brasileiro e posso provar. Um senhor de idade avançada, cabelos brancos e que sai levando presentes sem querer nada em troca? Tanta bondade e animação não pode vir de outro lugar se não este, já dito outrora hospitaleiro e animado.
Ele escolheu Itatiba, uma cidadezinha no interior de São Paulo como seu lar. Uma cidade pacata, que o recebeu como tantos itatibenses de braços abertos, e nela ele fez um sobrenome, uma profissão e uma família.
A cidade do Papai Noel estará emocionada na data festiva, e eu lhes contarei a história para que possam entender.
Desde que me conheço por gente, o Papai Noel sempre esteve por aqui.
O velhinho todos os anos no início de dezembro tirava seu trenó da garagem e punha as renas e duendes para trabalhar. Um pouco mais, é claro! É sabido que o bom senhor e seus duendes trabalham o ano todo, para que no dia vinte e cindo de dezembro alguns sonhos se realizem.
O bom velhinho, passava pelas ruas da cidade levando alegria, balas, esperança e presentes. Sua música característica e o sininho que levava sempre consigo anunciavam sempre sua chegada.
Nas escolas de todo município, o Noel sempre estava presente. Ouso dizer que não se pode ser chamado de Itatibense quem não tiver uma foto sua, de filhos ou netos com o barbudo.
Em minha época de escola, quando sentia com vigor essa magia especial do Natal, a presença deste senhor era sempre memorável.
Por mais vergonha que a criança tivesse, ele sempre lhe dava balas e lhes perguntava o que queriam ganhar no Natal.
Ele trazia para a cidade esse espírito de harmonia, alegria, de esperança.
Trazia…
Eu acredito que a magia se extinguiu a algum tempo.
E meio que como as fadas, o Papai Noel precisava dessa magia, e da fé em sua existência.
Embora não possamos generalizar, as pessoas têm andado cada dia mais frias, egoístas e hostis. Embora na época do Natal, aparentemente, muita gente pareça estar caridosa, esse sentimento parece estar diminuindo.
O verdadeiro sentido das festividades, amor, partilha e união, são deixados de lado, por presentes caros, exposição e desavenças.
Talvez, a tenra idade, somada a falta de fé e sentido do Natal, tenham afetado a saúde do nosso bom velhinho. É possível que tudo isso tenha minado suas forças, impedindo de superar a doença que o acometeu.
Era um dia de março, quando soube da triste notícia.
Naquele dia, virou dezembro, e foi um Natal triste.
O trenó do nosso bom velhinho, passou novamente pelas ruas de sua cidade. Acompanhado de outros tantos que ele inspirou, e surgiram com o tempo. Um tributo ao homem que sempre trazia luz com sua roupa vermelha e barba branca.
Que mesmo nas adversidades, sempre se fazia presente para os habitantes da terrinha.
Semelhante a aquele que ele anualmente celebrava, com carinho, as vésperas da páscoa, o Papai Noel nos deixa.
Eu, e tantos outros itatibenses, de nascimento ou de coração, sentirão falta do Papai Noel ícone de Itatiba.
Que seu legado não se perca, e sua história seja contada sempre!
Papai Noel Luizão, esteja na luz e na alegria que levou para tanta gente.


