quinta-feira, 4, junho, 2026, 08:50
JUNDIAÍ

Marcas da guerra: pesquisador búlgaro bate-papo com estudantes

Cerca de 40 alunos do 9.º ano da Escola Cristã Jundiaí receberam, nesta manhã de sexta-feira (4), a presença do pesquisador e tradutor búlgaro Nikolai Boyadjiev para falar de sua experiência pessoal, já que seu país sofreu com a guerra durante anos.

Bastante simpático e falando para estudantes pela primeira vez no Brasil, Boyadjiev tentou explicar, em inglês, como tudo começou e a relação existente entre o passado e o atual conflito entre Rússia e Ucrânia. Na verdade, observando a curiosidade dos alunos sobre este assunto durante as aulas, o mantenedor do colégio, Harold Walker, teve a iniciativa de convidar o pesquisador e trazer luz aos últimos fatos. “A ideia principal é sempre proporcionar aos alunos o máximo de informações direto da fonte. Nada melhor do que ouvir de alguém que sentiu na pele tudo o que a ideologia comunista prega”, pondera.

Sobre isso, o convidado ressaltou que, durante a II Guerra Mundial, mais de cinco milhões de russos morreram de fome e que as crianças foram as primeiras vítimas. A Bulgária sofreu diretamente esses impactos. “Onde se tem guerra, tem fome. Minha família passou por maus momentos, vivemos grandes dificuldades, minha avó foi agredida na frente de meu pai e meus tios quando eles eram crianças, só porque ela não tinha resposta a uma pergunta. Nossas casas eram invadidas e não podíamos viajar. Isso só terminou em 1989, quando eu tinha 14 anos”, conta.

Durante seus depoimentos, alguns alunos interagiram e mostraram grande interesse complementando o assunto com dados que estavam acompanhando nas mídias. Nicolas Alcântara, por exemplo, destacou que não estava surpreso com as informações, pois sabia que o final do mundo seria por meio de guerras. “Eu li na Bíblia que, no fim, haveria guerras e rumores de guerras, além de pestes como o Coronavírus”, conta.

Há poucos dias, quando estourou o conflito entre Ucrânia e Rússia, Boyadjiev já estava no Brasil a trabalho e ficou bastante preocupado pela proximidade logística de seu país, onde ficou sua família. Segundo ele, o principal motivo da guerra atual é a ideologia comunista de Vladimir Putin, presidente russo, que não enxerga o desenvolvimento dos países limítrofes com bons olhos. “Ele foi coronel da KGB (polícia russa) na década de 80 e, de certa forma, deseja restaurar o poder da antiga União Soviética. Tanto que, apesar de ser um país com muitos recursos naturais, a Rússia só produz armas e tem uma população pobre”.

Como os alunos da Escola Cristã Jundiaí gostam muito de leitura, o convidado fez questão de indicar alguns autores que retrataram a fundo a questão política da Europa, como Alexander Soljenítsin, Varlam Shalamov e Vassili Grossman, por exemplo.

No encerramento, a aluna Giordana Steck se mostrou emocionada com os relatos. “Eu tinha muitas perguntas, mas fiquei sem palavras diante de tanta coisa triste que ouvimos. Não imaginava que tantas pessoas haviam sofrido por conta de um regime tão cruel como o comunismo. Espero que pessoas não sofram de novo”, desabafa.