Morre em Jundiaí o ‘agente duplo’ da Ditadura Militar, o “Cabo Anselmo”
FELIPE BÄCHTOLD
(FOLHAPRESS) – Morreu na noite de terça-feira (15) aos 80 anos, no Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí, o ex-militar José Anselmo dos Santos, conhecido como Cabo Anselmo.
A informação foi confirmada por um ex-advogado dele.
O jornalista da rede Jovem Pan Jorge Serrão afirmou que o ex-militar, de quem era amigo, teve um mal súbito (em um sítio de amigo na Zona Rural de Jundiaí) e foi sepultado nesta quarta-feira no Cemitério do Montenegro, no Jardim do Lago. Ele se apresentou no hospital com outro documento.
Agente Duplo
Anselmo foi o mais conhecido agente duplo da ditadura militar e afirmava que delatou militantes da esquerda para não ser morto.
Antes, havia sido figura de destaque na mobilização de marinheiros que antecedeu o golpe contra o presidente João Goulart, em março de 1964. Foi preso e cassado logo no início do novo regime.
Em 2012, teve negado pedidos de indenização feito ao governo federal e para ser reintegrado à Marinha.
A Comissão de Anistia, ao rejeitar o pedido, pôs em dúvida desde quando o ex-militar passou a colaborar como o regime. O parecer citava, por exemplo, declaração do chefe de Inteligência do governo Goulart afirmando que Anselmo era um “agente provocador da CIA desde os eventos que antecederam o golpe”.
O ex-militar afirmou em entrevista nos anos 1980 que fugiu da cadeia, em 1964, “pela porta da frente”. Foi para o Uruguai e viveu no Chile.
Dias antes do golpe que instaurou a ditadura, marinheiros haviam se rebelado dentro de um sindicato, no Rio, em mobilização que havia começado com reivindicações salariais e trabalhistas.
O Ministério da Marinha queria a prisão dos rebelados pela quebra da hierarquia, mas o então presidente rejeitou a alternativa e anistiou os marinheiros. Um dos líderes dos rebelados era Anselmo.
A decisão do presidente foi mais um componente na crise política da época e desagradou o comando das Forças Armadas, que dias depois deflagraria o golpe.
Em 2011, concedeu entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura (foto).
Disse que vivia de ajuda paga por três empresários.
NOTA DO HOSPITAL SÃO VICENTE
O Hospital de Caridade São Vicente de Paulo informa que não consta em seus registros informações de entrada, internação e óbito para o nome informado. No entanto, a informação que se tem, advinda da imprensa, é que supostamente o paciente teria passado a “viver com nova identidade e na clandestinidade” e que esta identidade poderia ter sido utilizada em sua internação, o que o Hospital não tem autorização legal para confirmar ou deixar de confirmar diante da Lei Geral de Proteção de Dados.


