Suspensa a greve dos motoristas de ônibus da Capital

FÁBIO PESCARINI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo suspenderam a greve prevista para a próxima segunda-feira (6), após uma audiência de conciliação na tarde desta sexta-feira (3).

No encontro, intermediada pelo desembargador Davi Furtado Meirelles, do TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho), ficou acordado que os sindicatos patronal (SPUrbanus) e dos trabalhadores (Sindimotoristas) vão retomar as negociações sobre dissídio coletivo, que serão mantidas até terça-feira (7).

Além dos dois sindicatos, a SPTrans, estatal ligada à Prefeitura de São Paulo que controla o transporte público municipal, também participou da audiência, feita por videoconferência.

A classe reivindica um reajuste de quase 18%, sendo uma reposição inflacionária de 12,37% e 5% de aumento real.

“As tratativas entre os representantes do poder público, os empresários e os diretores do Sindmotoristas acontecerão ao longo destes dias, visando encontrar uma breve proposta que faça jus às reivindicações dos trabalhadores em transportes”, afirmou o sindicato dos trabalhadores, em nota.

Na manhã da última quarta (1º), ônibus de 13 empresas da capital saíram com atraso das garagens por causa de assembleias de motoristas e cobradores realizadas durante a madrugada.

Na véspera, a Justiça do Trabalho havia determinado a manutenção de 80% da frota operando nos horários de pico e de 60% nos demais horários, sob pena de multa diária de R$ 50 mil, após a prefeitura ter acionado o Judiciário.

De acordo com Valdevan Noventa, presidente do SindMotoristas, os profissionais também exigem um aumento no vale-refeição, de R$ 26,50 para R$ 33 por dia, e o pagamento de R$ 2.500 referente à participação nos lucros ou resultados (PLR).

Outros pleitos são o fim da escala com uma hora para refeição sem remuneração e que, no caso em que o funcionário apresentar atestado médico, as empresas mantenham o vale-alimentação sem o abono.

Nesta sexta-feira, durante cerimônia que marcou o início do compartilhamento de bicicletas elétricas na cidade, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), disse que os trabalhadores têm o direito de reivindicar melhoria de salário, mas que precisariam entender que paralisando o transporte de uma cidade de 12 milhões de habitantes iriam gerar muitos transtornos para as pessoas.

Nunes disse que o reajuste nos salários de motoristas e cobradores pode pressionar ainda mais o subsídio pago pela prefeitura às empresas de ônibus para segurar o aumento de tarifa.

“Essa questão salarial, vai ter, evidentemente, reflexos na questão do subsídio”, disse. “Mas se for necessário aumentar o subsídio para manter a tarifa, a prefeitura vai fazer.”

A gestão municipal aguarda a aprovação de um projeto na Câmara dos Deputados que transfere para o governo federal o custeio das passagens de idosos no transporte público para não reajustar as tarifas. Atualmente, disse Nunes, esse benefício, custa cerca de R$ 450 milhões à prefeitura.

Questionado pela reportagem sobre qual valor total do subsídio atualmente, o prefeito disse que não tinha como falar com precisão e que não iria perguntar a Gilmar Pereira Miranda, secretário-executivo de Transporte e Mobilidade Urbana, que estava ao seu lado, “porque não iria gostar”. O titular da pasta permaneceu em silêncio.

Nunes afirmou que a meta é manter em R$ 3,3 bilhões os subsídios para as empresas de ônibus em 2022, assim como nos dois últimos anos, mas contando com o pagamento da gratuidade dos idosos pelo governo federal.

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