Kelmon vê ódio ao ser chamado de “Padre de Festa Junina”

Por Matheus de Souza, Giordanna Neves, Eduardo Gayer e Iander Porcella do Estadão / Com o combate ao racismo como tema, a candidata do União Brasil a presidente, Soraya Thronicke, trouxe uma série de escândalos do governo no tema para criticar o Executivo. Como ponte para criticar o governo, a candidata usou o candidato do PTB, Padre Kelmon, que apelidou de “cabo eleitoral de Bolsonaro” e “padre de festa junina” devido às dobradinhas do sacerdote com o presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele entendeu como “ódio” os comentários e questionamento se tinha medo de ir ao Inferno.

“O atual governo já teve absurdos como secretário que fez vídeos de conteúdo nazista, assessor que fez gesto suprematista em pleno Congresso Nacional e presidente da Fundação Palmares que é contra movimento negro”, citou a candidata.

Sobre o tema, Kelmon criticou a esquerda pelo racismo no País, que, segundo ele, “só enxerga a cor da pele”.

O candidato minimizou o tema. “Somos todos brasileiros, moradores desta casa comum que é o Brasil”, disse.

Soraya ampliou o embate com o candidato do PTB dizendo que Kelmon não tem proposta, e que é um candidato como Bolsonaro “nem nem: nem estuda e nem trabalha”.

Sacerdote

Estreante nos debates, Padre Kelmon (PTB) chamou atenção no último sábado, 24, ao participar do debate promovido pelo EstadãoRádio Eldorado e outros veículos de imprensa. Além das dobradinhas feitas com o presidente Jair Bolsonaro (PL) para atacar a esquerda, outra situação do candidato chamou atenção do público: a dúvida sobre ele ser ou não sacerdote.

Durante quebra-queixo após debate, Padre Kelmon comentou sobre a polêmica e afirmou ser um sacerdote. “Eu sou parte da igreja ortodoxa. A igreja ortodoxa não é uma igreja ortodoxa. São várias jurisdições ortodoxas. A minha jurisdição é a Igreja Ortodoxa Siro Malankara”, disse.

Em setembro de 2022, a Arquidiocese Siro Ortodoxa Malankra da Diáspora publicou uma carta aberta em sua página no Facebook em que reconhece Padre Kelmon como “pároco interino” pela organização. “O Reverendo Padre Kelmon Luis Souza é reconhecido por seu inquestionável trabalho pastoral e social em benefício da comunidade, razão pela qual é sempre convidado para diversas atividades e eventos em prol do desenvolvimento do povo brasileiro”, diz o documento.

Anteriormente, Padre Kelmon tinha sido rechaçado pela Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil após utilizar insígnias da organização religiosa. Em setembro, a igreja divulgou uma nota em que afirma que o candidato do PTB não integra nenhuma das “paróquias, comunidades, missões ou obras sociais”.

“Chegou ao nosso conhecimento que, na iminência das eleições federais e estaduais do corrente ano, muitos cidadãos brasileiros têm questionado membros de nossa Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil – Patriarcado de Antioquia e todo Oriente, sejam do clero ou entre os fiéis leigos, a respeito de um candidato à Presidência da República pelo PTB que se auto apresenta como ‘padre Kelmon'”, diz a carta.

Padre Kelmon chegou na disputa presidencial como vice de Roberto Jefferson e assumiu a cabeça de chapa após Jefferson ter sua candidatura impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Kelmon conta que, aos 19 anos recebeu um chamado de Deus, e começou a se dedicar ao serviço à juventude. Dois anos depois, se tornou seminarista da igreja católica, aderindo posteriormente à igreja ortodoxa.

Padre x Lula

O candidato a presidente pelo PTB, Padre Kelmon, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trocaram ofensas no terceiro bloco do debate da TV Globo. Com mira nas pautas religiosas e de corrupção, o Padre questionou se o petista era o chefe do “maior esquema de corrupção da história mundial” e o definiu como “descondenado”. Lula chamou Kelmon de “candidato laranja” e disse que ele tem “comportamento de um fariseu”.

Na ocasião, Kelmon tentou interromper diversas vezes as respostas dadas por Lula ao questionamento. O apresentador do programa, William Bonner, precisou parar o cronômetro para reorganizar o debate e chegou a dizer que o Padre não compreendeu as regras do programa. Em resposta, o ex-presidente afirmou que “candidato laranja não tem respeito por regra, candidato laranja faz o que quer”. Kelmon era vice da chapa de Roberto Jefferson (PTB), que teve a candidatura negada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em crítica ao Padre, Lula voltou a dizer que o povo brasileiro está cansado “de gente da sua espécie, de gente mentirosa, de gente que tenta tirar proveito”. “Você nem deveria se apresentar aqui como candidato. De onde você veio? Da igreja? Que igreja?”, questionou, classificando como “comportamento de um fariseu”.

“Eu sou cristão, casado na igreja, batizado, crismado e frequento as igrejas, mas não estou vendo na sua cara um representante da igreja, estou vendo um impostor, alguém disfarçado. Talvez porque o seu chefe não pôde ser o candidato, você resolveu ser o candidato laranja e se prestar a esse serviço de enganar o povo”, continuou Lula em crítica ao Padre.

Kelmon chamou Lula de “descondenado” e afirmou que o petista não deveria disputar a Presidência. “A população precisaria saber a verdade, o senhor é cínico, mente, o senhor é um ator”, criticou “Vocês mentem o tempo todo para o povo. Vocês não acreditam no cristianismo porque vocês não vivem cristianismo”, continuou

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