quinta-feira, 4, junho, 2026, 04:02
JUNDIAÍ

“Para não esquecermos a verdadeira história de Jundiaí”; Por André Schüller

Acessando o site da nossa prefeitura recentemente por conta das pesquisas que fiz para esse artigo, encontrei alguns equívocos. E como sei que esse é um problema crônico em muitas publicações que buscam recontar a história de Jundiaí ocorreu-me aproveitar o que foi comemorado no último dia 14 para corrigi-los. Só antes de começarmos, queria indicar duas referências indispensáveis para quem gosta do tema: os cadernos publicados pelo Museu da cidade, entre o final de 1960 e o começo de “70”, além do excelente “Jundiaí e sua história”, de Mario Mazzuia.

Pois bem. Deixando claro inicialmente que o chamado sertão ou Matto Grosso de Jundiay não equivale à antiga freguezia ou Villa formosa de Nossa Sra. do Desterro de Jundiahy, queria adiantar que, em se tratando do povoamento dessas duas áreas na qual a segunda era parte da primeira, encontraremos nomes distintos para os fundadores.

Começando pelo sertão ou Matto Grosso de Jundiay. Nessa extensa área de mata fechada que ia do atual Pico do Jaraguá até o Rio Grande, divisa com MG, fato é que perto de onde estamos hoje os primeiros a chegar foram Salvador Pires (Filho) e sua esposa, Ignês Monteiro de Alvarenga, em 1610. Ambos se estabeleceram num sítio localizado no que era o velho Morro do Ajuá; região de Perus. Sobre o povoamento da pequena freguesia inaugurada dentro desse imenso sertão – futura cidade de Jundiaí – vale corrigirmos a versão perpetuada por Azevedo Marques. Nela, Rafael de Oliveira e Petronilha Antunes teriam chegado por aqui fugindo de SP em vista de um crime cometido por ela, diga-se de passagem; mas não. Documentos até comprovaram a existência de um importante nome da política paulista que atendia por Rafael de Oliveira, amigo de Raposo Tavares, e que além de ter participado de quatro incursões organizadas pelo famoso bandeirante, foi casado não com Petronilha, mas duas outras mulheres: Paula Fernandes, falecida em 1614, e Catharina D’Horta.

Rafael foi dono de uma grande fazenda na atual Quitaúna, sendo esse detalhe importante para a fundação de Jundiaí pelo seguinte motivo. Seu filho homônomo que também era um bandeirante encabeçou uma expedição orquestrada pelo próprio Raposo Tavares ao que tudo indica, acompanhado, na época, por 300 outras almas. Saindo todos esses homens e mulheres do referido sítio do pai de Rafael justamente, fato é que o grupo adentrou a Serra do Japi no dia 15 de agosto de 1639 segundo foi possível provar.

Logo, a futura Terra da Uva começou a ser organizada enquanto resultado dessa incursão no antigo Matto Grosso de Jundiay feita por um grupo de bandeirantes em busca de índios e solos férteis em todos os sentidos à princípio, devendo aparecer como fundadores da velha freguezia de Jundiay os nomes de Rafael de Oliveira então – do filho, vale repetir – de sua esposa (Maria Cordeiro), de um dos irmãos de Rafael, Alberto, que seguiu para o norte na sequência, e da mulher desse. Uma importante historiadora da região chamada Maria Helena Rocha sugeriu que a prefeitura de Jundiaí guarda em seus arquivos ainda um registro interessante para outros dois nomes ligados à essa bandeirada. A saber, Manuel Prêto Jorge e Francisco Gaia.

Jundiaí “nasceu”, portanto, em 15 de agosto de 1639 e sob a condição de “freguesia” permaneceu durante 17 anos. No dia 14 de dezembro de 1656 ela foi elevada à condição de Villa segundo consta em um documento português tornado público há 4 anos por aqui, e o nome dado para o local naquele momento acabou sendo Villa Formosa de N.Sra. do Desterro de Jundiahy. Já o título de “cidade” foi concedido dali a exatos 209 anos, em 28 de março, de 1865.

André Schüller é psicanalista na cidade de Jundiaí
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