quarta-feira, 3, junho, 2026, 21:17
SAÚDE

Hoje é o Dia de Combate ao Colesterol ruim

A hipercolesterolemia (colesterol elevado) é um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas, como infarto e derrame (AVC), que atualmente estão entre as principais causas de mortalidade no Brasil. Por ano, são registradas 400 mil mortes em decorrência de problemas cardíacos, o que corresponde a 30% dos óbitos do país, de acordo com o Ministério da Saúde. Não bastasse o dado alarmante, o clima frio aumenta em 30% o risco de infarto, segundo dados do Instituto Nacional de Cardiologia. Neste 8 de agosto, Dia Nacional do Combate ao Colesterol, vale a pena pensar num check-up.

Cardiologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), Silvio Pollini recomenda que, de maneira geral, toda pessoa na idade adulta faça uma avaliação periódica (uma vez ao ano) da saúde cardiovascular, incluindo dosagem laboratorial de colesterol. Em famílias com histórico da patologia, o cuidado deve ser um pouco maior. “O indicado para pessoas com parente próximo que tem ou teve doença cardiovascular precoce é fazer exames de dosagem de colesterol ainda na infância, a fim de detectar alteração e já adotar medidas de controle”, destaca.

Mocinho e bandido
Com frequência, o colesterol é visto como algo ruim, mas existem tipos específicos, sendo que alguns têm funções benéficas ao organismo, auxiliando na produção de hormônios e vitaminas e na formação de ácidos biliares, que atuam na digestão. O perigo é o excesso da partícula LDL, chamada popularmente de “colesterol ruim”, proveniente do tipo de gordura ingerida. Ele pode se depositar nas paredes das artérias, formando placas de gordura, obstruindo o fluxo sanguíneo e gerando infartos e derrames. Por isso, seu nível deve ser mantido baixo. Já o HDL é o “colesterol bom”, responsável por “tirar” o colesterol das células para ser eliminado, evitando as obstruções das artérias. Esse deve ser mantido em alto nível.

Em períodos mais frios, segundo Pollini, “há uma elevação da pressão arterial, com maior contração dos vasos sanguíneos, com o objetivo de regular a temperatura corporal e manter o equilíbrio. Se as artérias estiverem comprometidas com placas de gordura em razão do colesterol ruim, há um sério risco de ocorrer um ataque cardíaco ou uma grave deficiência cardíaca”.

Para controlar o colesterol LDL, o cardiologista sugere que, inicialmente, conheça-se seus níveis de colesterol, o que pode ser feito por meio de um exame de sangue. Caso apresente resultados alterados, é preciso adotar atitudes para a normalização. “Dieta adequada, perda de peso quando houver sobrepeso ou obesidade, prática de exercícios regulares e, quando necessário, uso de medicações adequadas prescritas por um médico”.

Na prática
Traduzindo em ações, a dieta indicada para uma pessoa que precisa controlar o colesterol LDL deve ser rica em carnes magras, cereais, legumes e verduras, frutas, azeite e leite e seus derivados sempre desnatados. “Evitar carnes gordas, alimentos industrializados, frios e embutidos, frituras e alimentos gordurosos, leite integral e seus derivados”, salienta o especialista.

Com relação às atividades físicas, a primeira recomendação é procurar um médico para que ele possa avaliar e indicar o nível e o tipo de atividade indicada para cada pessoa. O sedentarismo é um fator de risco, mas deixá-lo de lado requer cuidados para que não se cometa excessos ou outros prejuízos.

As comorbidades, tais como condições de obesidade, diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica, quando não controladas, também contribuem para o aumento do colesterol. Portanto, o acompanhamento frequente para controle dessas doenças é essencial. E, por último, mas não menos importante, o tabagismo, que favorece a redução de níveis de HDL (colesterol bom) e o aumento do LDL (colesterol ruim).

O médico salienta que o colesterol alto não dá sinais de alerta: é um problema silencioso. “Muitas vezes, pessoas totalmente sadias, sem nenhum sintoma prévio, desenvolvem subitamente um infarto ou mesmo morte súbita como primeira manifestação da doença. Isso é decorrente do processo de aterosclerose (formação das placas de gordura no interior das artérias). Então, o apropriado é conhecer o histórico familiar, dar atenção especial aos fatores de risco e fazer os exames periódicos. Só assim será possível tomar atitudes para evitar desfechos críticos”, conclui.