segunda-feira, 27, julho, 2026, 12:46
SAÚDE

Férias escolares ligam alerta para cuidados com alimentação de crianças e adolescentes

Estudo feito pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e apresentado no Congresso Internacional sobre Obesidade, no final do mês passado, em São Paulo, apontou que, mantidas as tendências atuais de consumo e estilo de vida, daqui a 20 anos, 130 milhões de adultos brasileiros viverão com sobrepeso ou obesidade.

De acordo com o estudo, atualmente 56% dos adultos brasileiros têm obesidade ou sobrepeso (34% com obesidade e 22% com sobrepeso). Se a previsão do estudo se comprovar, dentro de 20 anos, três quartos dos adultos brasileiros estarão acima do peso.

Conforme a Dra. Lívia Franco, pediatra endocrinologista, mesmo que o estudo traz números de pessoas já na fase adulta, muito disso pode ser indícios de uma vida infantil e na adolescência sem os cuidados e prevenção devidas.

“O número de crianças e adolescentes com obesidade, entre cinco e 19 anos, em todo o mundo, aumentou 10 vezes na última década. Se nada for feito, estima-se que a prevalência de obesidade infantil aumente em 60% na próxima década, chegando a 254 milhões de crianças e adolescentes, entre cinco e 19 anos, no ano de 2030. Nesse mesmo ano de 2030, estima-se que o Brasil ocupa rá o quinto lugar no ranking de países com maior número de crianças e adolescente com obesidade”, sintetiza a especialista.

O mais importante, segundo a médica, é compreendermos é que a obesidade é uma doença crônica, que não envolve apenas estética e pode acarretar prejuízos para toda a vida. “É relevante também entender como avaliamos a obesidade na pediatria, uma vez que ao avaliar os gráficos do índice de massa corporal diversas vezes nos deparamos com o diagnóstico de obesidade grave em crianças que aos olhos dos pais são apenas mais cheinhas”, esclarece.

Cuidado redobrado durante as férias
Grande parte dos estudantes, especialmente crianças e adolescentes, já estão em férias. Essa pausa, muito comemorada pelos alunos, chama também a atenção por ser uma fase de menos cuidados com a saúde, com menos horas dedicadas ao sono e uma alimentação desregrada. “Dependendo da idade, temos diferentes perfis, desde o que fica horas à frente da TV, vídeo games e celulares, até àqueles que passam mais tempo na rua, com amigos. Em todos esses casos é comum crianças e jovens se alimentarem de forma desordenada, comendo mais fastfood, salgadinhos, frituras, sucos processados, entre outros”, salienta a pediatra.

A médica explica que toda sociedade precisa agora lutar contra a epidemia de obesidade e, consequentemente, contra as telas, que são fatores fundamentais no processo de aumento de prevalência da doença. “Levando em conta a prevenção do sobrepeso e da obesidade, é fundamental que os pais estejam atentos às fases da criança, desde a primeira infância, escolhendo uma alimentação saudável, com alimentos frescos e o mínimo processado possível, bem como uma rotina de práticas esportivas de acordo com cada idade”, sintetiza. Ela alerta ainda que, o conceito de antigamente de que saúde era relacionada ao sobrepeso, em que uma criança “gordinha” era mais aprovada, já não deve ser levado em consideração.