sexta-feira, 24, julho, 2026, 03:57
JUNDIAÍ

Políticas voltadas às crianças e mudanças climáticas são discutidas em Encontro

A manhã desta sexta-feira (16) foi de reflexões no painel Criança e Clima – Riscos Climáticos Extremos, do 2º Encontro Brasileiro de Cidades das Crianças e 2º Fórum Internacional das Infâncias 2024. O encontro foi realizado na Sala Glória Rocha.

Diferente de toda a programação do evento, dessa vez as crianças não foram chamadas à discussão. O motivo? Segundo o gestor de Cultura, Marcelo Peroni, a temática cabe aos adultos. “A grande questão é não colocar um peso que não é delas. Essa responsabilidade cabe a nós.”

Marcelo destacou ainda que a temática foi incluída como o nono eixo para nortear o trabalho focado nas crianças desenvolvido em Jundiaí. Os outros eixos são: promover a participação, garantir a autonomia, direito à educação, direito à saúde, direito à cultura, direito ao brincar, ferramentas de desenvolvimento e redes internacionais.

Ao longo do papo mediado por Úrsula Troncoso, do Ateliê Navio, Thamires Pedra Rica, da Allma Hub; Julia Gouveia, da Plan Internacional – CLICA; Juliana Gatti, da Árvores Vivas – CLICA; e JP Amaral, coordenador do Programa Criança e Natureza, do Instituto Alana; falaram sobre como atuar para que as políticas voltadas ao clima sejam sensíveis à realidade das infâncias em sua diversidade.

Julia lembrou que quando se fala em mudanças climáticas, é importante considerar que o Brasil é um país extremamente vulnerável, não só pelas características geográficas, mas também por sua extensão. Ela mencionou ainda que de 1961 a 2020 houve um aumento de eventos extremos, como secas, ondas de calor e chuvas torrenciais. Nos últimos 20 anos, mais de 125 milhões de brasileiros foram afetados por eventos climáticos.

“Mais de 40 milhões de crianças brasileiras estão em risco devido a desastres climáticos. Além disso, normas sociais impõem às meninas papéis desiguais, nos quais elas ficam em posições de gerenciar tarefas como agricultura e coleta de recursos naturais.”

Thamires deixou ao público uma pergunta: Por que fazemos o que fazemos? Por que estamos aqui falando de desemparedamento, do brincar, de inteligência emocional?

“Entre as buscas por respostas, olhar para o clima, sustentabilidade e relação das crianças com o clima precisa estar na nossa lista de atividades. A ansiedade climática é uma realidade. As crianças não estão aqui porque não é uma conversa confortável. Mas precisamos sair daqui com um retorno para elas, com reflexões que possam envolvê-las nesse diálogo.”

Quem também trouxe informações alarmantes foi Juliana Gatti. De acordo com dados da UNICEF de 2022, 8,6 milhões de crianças e adolescentes brasileiros estão expostos ao risco de falta de água; outros 7,3 milhões expostos a riscos de enchentes fluviais; 1,8 milhão expostos a riscos de enchentes costeiras; 24,8 milhões expostos aos riscos de poluição do meio ambiente; 13,6 milhões expostos ao risco de ondas de calor; e 27,8 milhões expostos aos riscos de pesticidas e agrotóxicos. “Mudanças climáticas exacerbam riscos e problemas de saúde preexistentes em crianças. Flutuações no clima, qualidade do ar e disponibilidade alimentar afetam diretamente o bem-estar infantil.”

JP Amaral deixou algumas recomendações aos municípios. Entre elas, fortalecer infraestrutura de serviços de saúde, de escolas e creches, integrar educação climática nos currículos escolares, criar programas de atenção especial às crianças sobre efeitos das mudanças climáticas e implementar estratégias para redução de riscos.

A programação do 2º Encontro, que segue até sábado (17), pode ser conferida no link: https://jundiai.sp.gov.br/2o-encontro-brasileiro-cidades-das-criancas-e-forum-internacional-das-infancias-2024/