terça-feira, 23, junho, 2026, 20:40

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JR – JORNAL DA REGIÃO
JUNDIAÍ

Há 37 anos, paróquia do Eloy prepara tapetes para o Corpus Christi

O amanhecer da quinta-feira (19) de Corpus Christi tem um significado especial para os moradores do bairro Eloy Chaves, em Jundiaí. Às 6h30, cerca de 100 voluntários já ocupam a Avenida Carlos Veiga com um único propósito: transformar 400 metros de asfalto em uma verdadeira obra de fé e arte.

Divididos em 11 equipes, eles confeccionam o tradicional tapete colorido que marca a celebração há exatos 37 anos. Utilizando cerca de meia tonelada de serragem, pó de café, tintas e outros materiais, os fiéis desenham símbolos religiosos que representam passagens bíblicas e a presença de Cristo na Eucaristia.

“A cada ano, o tapete é uma expressão viva da fé do nosso povo. É com muita alegria que vemos gerações inteiras participando — avós, pais e filhos, todos juntos, construindo esse testemunho de amor a Jesus”, comentou o padre Michael Henrique dos Santos, pároco da Paróquia São João Bosco.

A mobilização não se encerra com o término da obra. Após a procissão, as equipes retornam ao local para a limpeza da via, reforçando o compromisso com a comunidade e o cuidado com o espaço público.

Celebração com fé e solidariedade
A programação da Paróquia São João Bosco começa às 15h30, com a celebração eucarística na igreja (avenida Benedito Castilho de Andrade, 1091, Eloy Chaves), seguida da tradicional procissão pelas ruas do bairro, que culmina na sede da Associação de Moradores do Eloy Chaves (AMO). O evento atrai, em média, 4 mil pessoas, entre paroquianos, moradores da região e visitantes.

Além do caráter religioso, o Corpus Christi também ganha um importante aspecto social. Durante o período da celebração, a paróquia intensifica a campanha do agasalho em apoio ao Fundo Social de Solidariedade de Jundiaí. “Os fieis que participarem da Santa Missa são convidados a levar agasalhos para doação, que serão encaminhados diretamente ao Funss”, explicou padre Michael.

Um legado que virou lei
A história dessa tradição começou em 1988, quando o então pároco propôs que o tapete, até então feito apenas dentro da igreja, ganhasse as ruas do bairro. A ideia prosperou, e em 2012, o evento foi oficialmente incluído no Calendário Municipal de Eventos, por meio da lei 7.852, de autoria da ex-vereadora Ana Tonelli.

Com quase quatro décadas de história, o Corpus Christi do Eloy Chaves segue encantando não só pela beleza visual, mas sobretudo pela força comunitária que o sustenta. Uma tradição que une fé, arte e solidariedade em cada passo dado sobre o tapete que, por um dia, transforma as ruas em sagrado.

A prática dos tapetes, segundo a Igreja Católica, remete à entrada de Jesus em Jerusalém, quando o povo cobriu o chão com ramos e mantos em sinal de acolhida. No Corpus Christi, a celebração se volta ao Corpo de Cristo — a presença real de Jesus na hóstia consagrada, ponto central da fé católica.