Homem persegue a ex-mulher. Ela diz que se separou porque ele arrumou “outro”
Um caso de violência doméstica foi registrado na Delegacia de Polícia de Itatiba. Uma mulher de 31 anos disse que vem sofrendo após terminar um relacionamento abusivo de 13 anos. O ex-companheiro, de 36 anos, foi detido pela Guarda Municipal após ameaçar a vítima na porta de sua residência.
A vítima, moradora de Itatiba há 15 anos, relatou que o relacionamento com o suspeito sempre foi conturbado, marcado por agressões e xingamentos constantes.
Segundo o depoimento, a mulher nunca havia registrado ocorrência policial dos episódios anteriores de violência, situação comum em casos de violência doméstica, onde as vítimas frequentemente silenciam por medo, dependência emocional ou esperança de mudança do agressor.
O relacionamento chegou ao fim há 15 dias, quando a vítima descobriu que o companheiro mantinha relacionamento com outro homem da cidade.
Após o término, ela se mudou, enquanto o ex-companheiro permaneceu na residência que era comum ao casal.
A situação se agravou rapidamente.
No dia 11 de julho, a mulher já havia registrado a ocorrência na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Itatiba, relatando perseguição, ameaças e violação de domicílio.
Na mesma ocasião, solicitou medida protetiva de urgência, mas até o momento dos fatos não havia sido notificada sobre o deferimento ou indeferimento do pedido pela Justiça de Itatiba.
O caso ganhou contornos ainda mais graves quando o suspeito iniciou uma série de mensagens ofensivas através do WhatsApp, perguntando o “valor do programa” da vítima, insinuando que ela teria se tornado garota de programa.
As mensagens escalaram rapidamente para conteúdo de natureza sexual explícita, incluindo frases como “você vai chupar o meu p…na hora que entrar dentro do corró” e “você gosta de ser arrombada assim né”.
O agressor também enviou dois vídeos pornográficos e, posteriormente, fotos e vídeos de seus próprios órgãos genitais, que todos os policiais tiveram acesso na Delegacia.
Ameaças de Morte
Quando a vítima mencionou o relacionamento que o ex-companheiro teria mantido com outro homem, as ameaças se intensificaram.
Ele enviou mensagens como “você vai conhecer Lúcifer” e “você vai se arrepender”, seguidas de uma ação ainda mais aterrorizante.
O suspeito apareceu na residência da vítima, subiu em cima de um carro e começou a gritar “eu vou te matar”.
Durante o confronto, a vítima acionou a Guarda Municipal através do telefone de emergência 153. A equipe compareceu rapidamente e abordou o suspeito cerca de 500 metros à frente do local dos fatos.
Este caso representa um padrão comum na violência doméstica, onde o fim do relacionamento frequentemente marca o início de uma escalada nas agressões. Especialistas alertam que o período pós-separação é particularmente perigoso para as vítimas, quando os agressores podem intensificar comportamentos controladores e violentos.
A utilização de tecnologia para intimidar e humilhar a vítima, através de mensagens ofensivas e conteúdo sexual não consensual, representa uma forma moderna de violência psicológica que causa traumas profundos e duradouros.
A Lei Maria da Penha (11.340/2006) tipifica diversas formas de violência doméstica, incluindo agressões físicas, psicológicas, morais, patrimoniais e sexuais. O Marco Civil da Internet também criminaliza o compartilhamento não consensual de conteúdo íntimo.
Mulheres em situação de violência doméstica podem buscar ajuda através da Central de Atendimento à Mulher (180), disponível 24 horas, ou procurar diretamente uma Delegacia de Defesa da Mulher para registrar ocorrência e solicitar medidas protetivas.


