Verão de 2026: familiaridade, tempo sozinho e calmaria são tendências de viagem em alta
Viajar dificilmente é classificado como uma necessidade de primeira ordem entre brasileiros. A pesquisa Tendências de Turismo Verão 2025, encomendada pelo Ministério do Turismo, revelou que 33% dos cidadãos nacionais viajam a lazer uma vez ao ano, 22% de duas a três vezes e 6% quatro ou mais vezes ao ano.
Ainda assim, os números revelam o gosto de uma parcela expressiva da população pela busca de novos ares. Além do mais, isso não quer dizer que o turismo tem uma natureza necessariamente supérflua.
É exatamente para longe dessa superficialidade que têm apontado pelo menos duas tendências entre os viajantes nessa primeira metade da década de 2020 – exploradas a seguir em detalhe.
A viagem problematizada: as “whycations”
Um relatório recente de tendências turísticas elaborado pelo grupo de hotelaria Hilton projetando comportamentos para 2026 aponta para um elemento comum no gosto de viajantes de 14 países, incluindo o Brasil: de qualificar a escolha de destinos de viagem para que reflitam seus valores e interesses pessoais.
Esqueça a noção de aventura e da fuga da zona de conforto propostos historicamente por viagens. Para o ano que vem, mais indivíduos buscam espaço para contemplação a sós, ambientes confortáveis e silenciosos, opções culturais e gastronômicas familiares – no lugar do desconhecido e do exótico.
Ambientação e praticidade
Os viajantes consultados dão muita importância a se sentirem em casa mesmo a muitos quilômetros de distância dela. Isso pode incluir assistir séries, desenvolver projetos pessoais e até mesmo carregar consigo animais de estimação para paragens distantes. Essa comodidade tem um preço, cobrado na forma de preparação prática.
Para levar consigo animais de estimação, por exemplo, organizar documentos fundamentais, como a carteira de vacinação e o atestado de saúde do bicho. Verificar as regras da companhia aérea para o transporte animal, no caso de voo, é também crucial.
Além disso, pode ser necessário algum cuidado prévio para condicionar o mascote às horas de jornada, incluindo a escolha de uma caixa confortável para alocação e até mesmo testes com ruídos e movimentos.
Já para quem deseja viajar trabalhando, assistindo séries e filmes no streaming ou mesmo desenvolvendo um projeto pessoal, o computador ou tablet pode ser uma necessidade. Junto com ele, um preparo básico de cibersegurança é importante.
Isso pode incluir um teste grátis de VPN, escolhendo o melhor serviço desse tipo dentre diversas opções pesquisadas, e a instalação de um antivírus eficaz.
Fazer uma cópia de segurança de arquivos (back-up) do dispositivo e contratar um serviço de nuvem segura antes de embarcar para a jornada também podem evitar contratempos relevantes.
Calmaria prioritária
O relatório do Hilton dá ênfase à procura de viajantes por destinos calmos. Apelidada de “hoshhhpitalidade”, o pedido por silêncio se expressa de diferentes maneiras.
A primeira delas é adicionar dias de viagem solitários numa viagem em grupo. 52% dos brasileiros que participaram da pesquisa aqui incluíram dias extra num destino externo antes ou depois de uma viagem de família. Já 56% afirmaram viajar a trabalho para “escapar” da família ou do parceiro amoroso.
Pessoas que viajam a trabalho também se inserem nessa tendência. Dos sondados nesse grupo, 27% expressaram a vontade de ficar sozinhos por algum período durante a viagem de negócios, seja na forma de uma refeição solitária no dia ou preferindo dormir a interagir com colegas.
Mas nem tudo é afastamento social. Nas viagens em família, cada vez mais adultos se sentem inspirados a experimentar coisas novas durante a jornada e 81% dos pais e avós brasileiros consultados pretendem estabelecer tempos sem telas (celulares, tablets, computadores, TV) para incrementar o tempo de interação com filhos e netos.
Por fim, outro fator gregário na tendência de viagem que contrasta com a busca por tempo solitário é a observação de preferências herdadas de viagem. Dois terços dos viajantes de todo o mundo sondados disseram que suas escolhas de hospedagem foram influenciadas por seus pais. O exemplo de família também foi relatado importante para moldar o estilo geral da viagem e o uso de programas de fidelidade.
Texto de Caio Nogueira



