quinta-feira, 4, junho, 2026, 06:33
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Homem é preso por tentativa de feminicídio em Jundiaí

Um homem de 23 anos foi preso em flagrante na madrugada desta sexta-feira (8) acusado de tentativa de feminicídio contra sua companheira, de 22 anos, no bairro Fazenda Grande. O caso envolveu perseguição, invasão de domicílio e uso de arma branca, com a polícia sendo acionada três vezes ao longo da noite.

Segundo o boletim de ocorrência registrado no Plantão Policial de Jundiaí, o casal convivia em união estável há cerca de sete meses. A sequência de violência começou por volta da meia-noite, quando o suspeito chegou do trabalho demonstrando nervosismo e começou a destruir móveis e objetos dentro da residência do casal, também no bairro Fazenda Grande.

Escalada de violência

De acordo com o relato da vítima, após arrumar suas coisas como se fosse deixar o local, o homem mudou repentinamente de comportamento e iniciou as agressões físicas. A jovem sofreu chutes no abdômen, socos na cabeça, puxões de cabelo e lesões nos braços, deixando marcas de hematomas e escoriações visíveis pelo corpo.

A mãe do agressor tentou intervir, momento em que ele saiu da residência. Em seguida, o homem foi até a casa da mãe da vítima e, usando um ardil, pegou emprestado o celular da sogra. Com o aparelho, enviou mensagens ameaçadoras à companheira, exigindo que ela descesse sozinha “senão ele ia matá-la”.

Três acionamentos da polícia

A Polícia Militar foi chamada pela primeira vez, mas o suspeito fugiu pelos fundos do condomínio, se embrenhando em área de mata. Os policiais orientaram a vítima a deixar o local por segurança, e ela se refugiou na casa de familiares.

No segundo acionamento, horas depois, o homem foi visto rondando a residência dos familiares onde a vítima estava abrigada. Novamente, ao chegar ao local, a equipe policial não conseguiu localizá-lo, pois ele havia evadido em seu veículo.

Invasão e tentativa de homicídio

O momento mais grave ocorreu por volta de 1h30, quando o agressor localizou a vítima pela terceira vez, agora refugiada na casa de uma tia, no mesmo bairro. Ele invadiu violentamente a residência sem autorização, portando uma faca do tipo serra presa à cintura.

Uma testemunha que presenciou a cena relatou à polícia que, ao entrar no imóvel, o homem sacou a faca e levantou o braço para golpear a cabeça da vítima. A consumação do crime foi evitada apenas pela rápida intervenção de populares presentes, que puxaram a vítima e a afastaram da trajetória do golpe. A própria vítima se abaixou instintivamente para evitar ser atingida.

Após a intervenção dos familiares e vizinhos, o agressor foi contido e retirado da residência, permanecendo do lado de fora até a chegada das viaturas policiais.

Prisão após perseguição

As equipes das viaturas PM 11240 e 11233 chegaram ao local após o terceiro acionamento via Copom. Inicialmente, o suspeito tentou fugir novamente utilizando seu veículo, mas foi perseguido e finalmente abordado e detido pelos policiais.

Durante a abordagem, foi necessário o uso de algemas como medida de segurança, considerando as duas evasões anteriores e o comportamento violento demonstrado ao longo de toda a noite.

A vítima foi encaminhada para atendimento médico na UPA Vetor Oeste de Jundiaí, onde teve suas lesões documentadas. Ela manifestou o desejo de requerer medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha e informou estar disposta a se separar definitivamente do agressor.

Representação por prisão preventiva

O delegado Dr. Andre M. de Mello Silveira, responsável pelo caso, lavrou o auto de prisão em flagrante e representou pela conversão da prisão em preventiva. Segundo a análise do delegado, o crime se enquadra como tentativa de feminicídio (artigo 121-A do Código Penal) e violação de domicílio qualificada (artigo 150, §1º do Código Penal).

Na fundamentação, o delegado apontou que “a segregação cautelar do indiciado mostra-se imprescindível e proporcional diante do risco concreto e atual à integridade física e vida da vítima, da alta probabilidade de reiteração criminosa demonstrada pelos fatos e do perigo de fuga evidenciado pelas evasões anteriores”.

O suspeito optou por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio durante o interrogatório. Ele informou não possuir advogado constituído e manifestou não desejar avisar familiares sobre sua prisão.

A Polícia Civil encaminhou urgentemente o pedido de medidas protetivas de urgência ao Poder Judiciário, incluindo afastamento do lar, proibição de aproximação e contato com a vítima, e proibição de frequentar determinados lugares.

O caso foi registrado como tentativa de feminicídio e aguarda manifestação do Ministério Público e decisão judicial sobre a conversão da prisão.