Guarda municipal é indiciado em Várzea. Motoboys anunciam protesto à tarde
Um jovem de 24 anos foi atingido por um tiro no rosto durante uma abordagem policial realizada por guardas municipais na tarde desta quinta-feira, 4 de dezembro, na Rua Antônio Feres Sada, em frente da Estação Ferroviária.
O rapaz foi socorrido à UPA de Várzea Paulista e posteriormente transferido em estado gravíssimo ao Hospital São Vicente, em Jundiaí, onde permanece internado.
Grupo de motoboys de Várzea Paulista anuncia protesto pelas ruas da cidade, a partir das 15 horas, com saída da Estação até a Prefeitura da cidade.
Guarda indiciado
Segundo o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Várzea Paulista, o incidente ocorreu por volta das 16h20, quando dois guardas municipais realizavam patrulhamento com o objetivo de coibir roubos contra usuários da CPTM.
De acordo com o relato dos agentes, eles avistaram uma motocicleta Honda CG 160 Fan com dois ocupantes próximo à estação.
Após o passageiro descer do veículo correndo, um dos guardas, de 47 anos, determinou a parada da moto, alegando atitude suspeita do condutor.
Conforme o registro policial, o motociclista teria desobedecido à ordem e colocado a mão de forma repentina na cintura. Posteriormente descobriu que o rapaz ia pegar a pochete.
O guarda municipal, imaginando que se tratava de uma arma de fogo, efetuou um disparo que atingiu o rosto do jovem.
Ao se aproximar, os agentes constataram que o objeto na cintura da vítima era, na verdade, uma pochete.
Perícia e investigação
A perícia foi acionada imediatamente e realizou trabalhos de registros fotográficos para determinar a dinâmica dos fatos, coleta de materiais e exame residuográfico.
Dois capacetes usados pela vítima foram apreendidos, apresentando marcas perfuro condutoras possivelmente de entrada e saída do projétil, o que será confirmado por laudo técnico.
A arma de fogo utilizada pelo guarda, uma pistola Taurus calibre .9 mm de propriedade da Prefeitura de Várzea Paulista, foi apreendida para exame balístico.
A motocicleta foi encaminhada ao pátio municipal.
Análise jurídica do delegado
O delegado titular da delegacia, Dr. Rafael Diorio Costa, analisou o caso e identificou “erro de tipo essencial evitável”, caracterizando o que a lei chama de “culpa imprópria”.
Segundo a autoridade policial, o guarda agiu imaginando uma situação de legítima defesa que não existia.
Com base no artigo 20 do Código Penal, o caso foi enquadrado como homicídio culposo na forma tentada.
O delegado decidiu não realizar prisão em flagrante, considerando que a pena prevista é inferior a dois anos, e determinou a instauração imediata de inquérito policial.
O caso foi comunicado à Corregedoria da Guarda Municipal, ao Ministério Público e à Vara Criminal de Várzea Paulista.
A investigação prossegue com análise de laudos periciais e imagens de monitoramento da região.
A Prefeitura de Várzea Paulista e a Guarda Municipal ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o ocorrido.


