quinta-feira, 4, junho, 2026, 07:43
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Polícia Civil desmantela esquema de tráfico de cetamina que movimentou R$ 60 milhões

A Polícia Civil de São Paulo, em conjunto com a Polícia Civil do Paraná, deflagrou a Operação “Filling the Gap” para desarticular uma organização criminosa especializada no comércio clandestino de cetamina, anestésico veterinário usado como entorpecente e na produção de drogas sintéticas. A quadrilha atuava em seis estados e movimentou cerca de R$ 60 milhões.

As investigações, coordenadas pela delegada Paula Brisola da Polícia Civil paranaense, revelaram um esquema sofisticado que envolvia emissão fraudulenta de receitas na região de Campinas, armazenamento irregular do produto e distribuição para o Paraná e Santa Catarina.

Veterinário emitia receitas falsas

Em Campinas, policiais da DIG-DEIC prenderam um médico veterinário responsável pela emissão irregular de receitas. Em aproximadamente quatro anos, o profissional expediu quase 800 receitas para aquisição de 123 mil frascos de cetamina, quantidade suficiente para anestesiar cerca de 3 milhões de cães de médio porte ou 8 milhões de gatos.

A operação, realizada por unidades subordinadas ao Deinter 2 – Campinas, também resultou na prisão em flagrante de dois comerciantes em Estiva Gerbi, que estavam na posse irregular de aproximadamente 1.500 frascos do anestésico. Em Valinhos, uma vasta quantidade do produto foi apreendida, embora não tenha havido prisões.

 

Substância controlada desviada

A cetamina está incluída na Portaria 344/98 da Anvisa, que lista substâncias controladas de uso restrito mediante prescrição médica. Quando desviada para uso humano, funciona como entorpecente e matéria-prima para drogas sintéticas.

O valor de mercado revela a lucratividade do esquema criminoso: cada ampola comercializada legalmente custa cerca de R$ 130, mas no mercado clandestino o preço quadruplica, chegando a aproximadamente R$ 520.

Atuação em seis estados

A organização criminosa investigada operava nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Além dos policiais civis paulistas e paranaenses, participaram da operação fiscais do Ministério da Agricultura (MAPA), responsáveis pelas vistorias técnicas.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão temporária nas cidades envolvidas. As investigações prosseguem sob coordenação da Polícia Civil do Paraná para identificar outros integrantes da rede criminosa e o destino final da substância desviada.

A Polícia Civil classificou a conduta dos envolvidos como tráfico de drogas, crime previsto na legislação brasileira com penas que podem chegar a 15 anos de reclusão.