quarta-feira, 3, junho, 2026, 22:07
CIDADESJUNDIAÍPOLÍCIA

Advogado é indiciado por disparos de arma em condomínio de Jundiaí

Um advogado foi autuado na madrugada deste sábado (13) após efetuar disparos de arma de fogo dentro de um condomínio residencial no bairro do Jardim Bonfiglioli, em Jundiaí. O homem alegou estar sendo perseguido por invasores, mas ninguém foi encontrado no local. A Polícia Militar apreendeu três armas de fogo e 50 munições.

A ocorrência teve início por volta da 1h05, quando a Polícia Militar foi acionada via Copom para atender uma suposta tentativa de roubo em residência.

Durante o deslocamento, novas chamadas chegaram relatando disparos de arma de fogo no local.

Ao chegarem ao edifício, os policiais militares foram recebidos pelo porteiro, que os conduziu ao elevador social.

Logo na entrada do elevador, havia um disparo no centro do espelho.

O porteiro informou que moradores do 11º e 13º andares haviam ligado para a portaria relatando ouvir disparos, mas não sabia se eles também tinham acionado o 190.

Enquanto a equipe conversava com o porteiro, foram ouvidos gritos vindos do 12º andar. Ao chegarem ao apartamento 121, os policiais escutaram barulhos altos no interior do imóvel. Após tocarem a campainha, um homem atendeu a porta portando uma arma em punho.

Segundo o relato policial, o homem permaneceu estático, sem reação, visivelmente sem coordenação motora e “completamente alienado”. Apenas após o policial aumentar o tom de voz, ele soltou a arma, que foi chutada para longe.

Com o suspeito imobilizado, os policiais questionaram se havia mais pessoas no apartamento. Ele respondeu, de forma desorientada, que havia “três homens ali dentro que queriam pegá-lo”. Uma varredura completa foi realizada no imóvel com apoio de outras equipes, mas nenhum invasor foi encontrado.

Questionado sobre a existência de mais armamentos, o suspeito informou que possuía outras armas guardadas no closet, onde foram localizadas uma carabina e uma pistola. A arma que ele portava era uma pistola de pequeno porte com uma munição na câmara. Ao todo, foram apreendidas três armas: uma carabina Taurus calibre 9mm, uma pistola Springfield calibre 9mm e uma pistola Sig Sauer calibre 9mm, além de três carregadores para cada arma e 50 munições.

O advogado disse ser CAC (colecionador, atirador e caçador), mas não soube informar onde estavam as documentações das armas no momento.

Durante todo o atendimento, o homem apresentava confusão mental, afirmando repetidamente que estava com saudades da ex-esposa e que estava recém-separado. Não conseguia se recordar de detalhes do ocorrido.

O suspeito foi conduzido ao Plantão do 1º Distrito Policial de Jundiaí. Por se tratar de advogado, foram acionadas as prerrogativas da classe. Na delegacia, seu estado de “alienação” começou a melhorar, mas ele continuava sem se recordar de ter efetuado os disparos, apenas de estar sendo perseguido.

Em depoimento na presença de seu advogado de defesa, o homem declarou fazer uso de medicamentos controlados e que “provavelmente ingeriu o medicamento e não foi dormir”.

Segundo ele, depois não se lembra de mais nada, e possivelmente bebeu álcool já sob efeito do medicamento, sem saber que não era indicado misturar as substâncias.

O delegado plantonista Dr. Elvis Rodrigues Rocha não decretou a prisão em flagrante, por entender que não havia elementos suficientes naquele momento para determinar se o advogado estava sob efeito de embriaguez acidental completa ou incompleta, decorrente da mistura de medicamentos controlados com álcool, ou se realmente utilizou a arma para se defender de uma ação criminosa.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Jundiaí.