quarta-feira, 3, junho, 2026, 23:50
CIDADESJUNDIAÍPOLÍCIA

Homem é preso por ameaçar de morte jovem de 22 anos dentro de Motel de Jundiaí

Um homem de 22 anos foi preso em flagrante acusado de descumprimento de medida protetiva, ameaça qualificada por violência doméstica e agressão contra a ex-companheira, de 22 anos, no interior de um motel em Jundiaí.

A Guarda Municipal de Jundiaí foi acionada via Centro de Operações Táticas (COT) para atendimento de uma ocorrência de briga de casal nas dependências de uma suíte do estabelecimento.

Ao chegarem ao local, os guardas encontraram o suspeito aguardando do lado de fora do motel, próximo a uma motocicleta, enquanto a vítima estava no interior do estabelecimento visivelmente abalada, chorosa e apresentando marcas avermelhadas na região do pescoço compatíveis com agressão por enforcamento.

Agressões e ameaças durante permanência no motel

Segundo apurado pela polícia, a vítima e o suspeito mantiveram relacionamento amoroso por aproximadamente três anos, do qual resultou uma filha de dois anos de idade.

Eles estão separados há cerca de um ano.

Apesar da separação e da existência de medida protetiva de urgência vigente, ambos se reencontraram e adentraram o motel no dia anterior aos fatos.

No interior da suíte, o suspeito passou a fazer uso de substâncias entorpecentes e, em determinado momento, iniciou uma discussão com a vítima motivada por ciúmes e pelo estado de embriaguez.

Durante a discussão, o homem agarrou a mulher pelo pescoço por três vezes consecutivas, em ato típico de enforcamento, visando intimidá-la e agredi-la fisicamente.

Para defender-se da agressão, a vítima quebrou uma garrafa de vidro na tentativa de afastar o agressor.

Posteriormente, quando o casal se dirigiu à portaria do estabelecimento para efetuar o pagamento da diária, nova discussão foi iniciada acerca de quem arcaria com os custos.

Nesse momento, o suspeito, de forma violenta, puxou os cabelos da vítima e proferiu ameaças, afirmando que iria “arrebentá-la na frente de quem fosse”.

O funcionário de segurança do motel interveio para separar o casal, momento em que o homem se retirou em direção à sua motocicleta.

Mesmo após a intervenção, o suspeito permaneceu nas proximidades do estabelecimento e proferiu novas ameaças, declarando em alto e bom som que “esperaria do lado de fora e arrebentaria a vítima com o capacete da moto”.

Diante da gravidade da situação, a funcionária recepcionista do motel acionou a Guarda Municipal, que se deslocou imediatamente ao local.

Descumprimento de medida protetiva vigente

O caso ganha contornos ainda mais graves porque o suspeito tinha plena ciência da existência de medida protetiva de urgência vigente em seu desfavor, pela 3ª Vara Criminal de Jundiaí.

A decisão da juíza Jane Rute Nalini Anderson determinou, entre outras providências, a proibição de aproximação da vítima e de seus familiares, bem como a proibição de contato por qualquer meio de comunicação, mantendo-se distância mínima de 100 metros.

A medida protetiva foi deferida em 16 de julho de 2025, com prazo de vigência de um ano, tendo o suspeito sido pessoalmente intimado da decisão judicial em 19 de julho de 2025.

Histórico alarmante de violência doméstica

A análise da Folha de Antecedentes Criminais do suspeito revela um histórico alarmante: são seis inquéritos policiais instaurados entre 2023 e 2025, todos tendo a mesma vítima, versando sobre crimes de ameaça e lesão corporal qualificada por violência doméstica.

Verifica-se ainda a existência de processos de medidas protetivas anteriores, inclusive com flagrante em 2024 por descumprimento de Medida Protetiva semelhante à atual.

A vítima já fez seis boletins de ocorrência contra o autor ao longo dos últimos meses.

Depoimentos e prisão em flagrante

Uma das testemunhas relatou que viu o agressor na Portaria do Motel ameaçando a vítima e puxando os cabelos dela.

Ele proferiu ameaças, dizendo que iria “arrebentá-la seja na frente de quem fosse”. O funcionário de segurança do estabelecimento interveio para separar o casal e impedir que a agressão prosseguisse. Mesmo após ser separado, o homem declarou que “bateria na vítima com o capacete” e permaneceu do lado de fora aguardando-a.

Diante da situação de risco iminente, a testemunha acionou a Guarda Civil Municipal.

Cinco anos de perseguição e medo

A vítima declarou que estava com o suspeito no motel desde as 14 horas do dia anterior e que, durante a noite, este fez uso de substâncias entorpecentes. Afirmou que o homem iniciou uma discussão por motivo de ciúmes e, em determinado momento, a pegou pelo pescoço em três ocasiões distintas, caracterizando enforcamento. Para se defender, quebrou uma garrafa de vidro.

Relatou que na portaria, durante discussão sobre o pagamento da diária, o suspeito puxou seus cabelos e a ameaçou, dizendo que “lá fora eu vou fazer as coisas com você”.

A vítima declarou ter muito medo do agressor, afirmando conviver há cinco anos com essa situação sem que tenha havido consequências efetivas para ele.

Ao final, representou criminalmente contra o suspeito, manifestando expressamente interesse no prosseguimento da ação penal.

Prisão ratificada e pedido de preventiva

No Plantão Policial do 1º Distrito Policial de Jundiaí, o delegado André M. de Mello Silveira ouviu as partes e, após análise criteriosa do caso, ratificou a prisão em flagrante.

Segundo a autoridade policial, a conduta se enquadra nos crimes de descumprimento de medida protetiva de urgência e ameaça qualificada por violência doméstica.

O delegado destacou que, embora o suspeito tenha alegado intenção de que a discussão foi iniciada por conta do estado de embriaguez da vítima, o meio empregado, a intensidade da agressão (enforcamento reiterado três vezes), a região atingida e a idade da vítima revelam excesso incompatível com qualquer justificativa, configurando grave violência doméstica.

O suspeito admitiu que foi ao motel a convite da vítima e que lá permaneceram desde o dia anterior. Confirmou a discussão na portaria sobre o pagamento da diária e admitiu ter proferido ameaças contra a vítima. Alegou, em sua defesa, que a própria vítima vem descumprindo a medida protetiva, ligando constantemente para ele e comparecendo à sua residência.