Mulher confirma “som alto”, antes do marido matar vizinha e filha da vítima de 14 anos
O delegado do Plantão Policial de Cabreúva, Francisco Felipe Preuss, ouviu a mulher do acusado de matar a vizinha e a filha dela, de 14 anos, no bairro Colina, na noite de domingo (08).
A tragédia teve origem na reclamação por causa de som alto. Em depoimento ao delegado, a moradora disse que seu marido permaneceu durante o dia pescando. Ele chegou e foi tomar banho.
A mulher contou que permaneceu ouvindo música “em volume um pouco alto”.

Kamily e sua mãe Camila, assassinadas em Cabreúva / Foto: Reprodução
Em determinado momento chegou uma viatura da Polícia Militar, acionada por vizinhos, com queixa do som alto.
Os policiais informaram que estavam atendendo chamado de “perturbação do sossego”. Ela imediatamente desligou o som.
Confusão e tiros
A mulher disse que cinco minutos depois que os policiais militares foram embora, a vizinha foi com a filha até a sua porta.
Confirmou que disse em voz alta que desligaria o som por causa de “zé povinho”.
A vizinha passou a xingá-la, afirmando que a levaria “pras ideias”.
A partir daí houve luta corporal.
Seu marido, vendo a briga, pegou arma de fogo e passou a efetuar vários tiros.
Ela contou que ainda pediu ao marido para parar de atirar, mas já era tarde.
Tentativa de linchamento
Nesse momento, diversos populares investiram contra o indivíduo, passando a agredi-lo.
Concomitantemente, uma senhora, de posse de uma faca, tentou desferir golpes contra o agressor, ocasião em que o SD Freitas da Polícia Militar retornou e efetuou um disparo em sua direção, sem atingi-la, o que fez cessar a agressão.
Posteriormente, novamente populares passaram a agredir o agressor, até a chegada da equipe de apoio policial.
Com a chegada do reforço, as agressões foram contidas.
Na sequência, equipes do serviço de ambulâncias compareceram ao local e prestaram socorro ao agressor e às vítimas, encaminhando-os à UPA do Bairro Jacaré.
Duas das vítimas, mãe e filha, vieram a óbito.
A mulher que morreu é a dona de casa Camila de Souza Figueiredo, de 35 anos de idade, e sua filha Kamily Vitória Souza Cardoso, de 14 anos..
A terceira vítima, J. de S. F., de 30 anos, foi atingida por um disparo no ombro, encontrando-se em estado estável.
A quarta vítima, R. de S. F., de 31 anos, foi atingida por um disparo no tórax, lado direito, também encontrando-se em estado estável.
Segundo informações colhidas no local, a motivação dos fatos estaria relacionada a uma rixa antiga.
A esposa do agressor, encontrava-se em posse da arma utilizada nos disparos, uma pistola calibre 9mm, Taurus PT917, indicando aos policiais o local onde havia guardado o armamento.
No referido local, em um cofre, foi localizada ainda outra arma de fogo, consistente em uma carabina calibre .22, CDC Magnon, bem como 96 munições calibre 9mm e 112 munições calibre .22.
A equipe de perícia foi acionada e compareceu ao local, juntamente com o investigador de plantão.
As armas de fogo do depoente e de seu companheiro de farda foram apreendidas para exame pericial.
O agressor e as duas vítimas do sexo masculino permanecem internados.
O delegado Felipe Preuss determinou a prisão do autor, tão logo receba alta do hospital.


