Engenheiro Pedro Bigardi vai disputar eleições para deputado estadual
Um dos políticos mais conhecidos da região, o ex-prefeito de Jundiaí Pedro Bigardi confirmou sua pré-candidatura a deputado estadual nas eleições de 2026. O anúncio foi feito por meio das redes sociais, com apoio formal do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). “Está confirmada a minha indicação como pré-candidato a deputado estadual. Agradeço ao PCdoB pela confiança. Representar a região de Jundiaí e usar toda a experiência de ter ocupado os cargos de prefeito e deputado estadual são imprescindíveis nesse momento”, declarou Bigardi.
A candidatura marca o retorno de Bigardi à disputa pelo Legislativo estadual após mais de uma década de distância da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Com histórico no Executivo e no Legislativo, o político destacou que pretende utilizar sua experiência para representar a região metropolitana de Jundiaí.
Raízes jundiaienses e formação técnica
Pedro Antonio Bigardi nasceu em Jundiaí em 28 de dezembro de 1959. Fez o curso técnico em edificações no Colégio Vasco Venchiarutti (ETEC VAV) e em 1987 formou-se em engenharia civil pela Universidade São Francisco, em Itatiba. A formação acadêmica seria a base de uma carreira que transitou entre o serviço público, o magistério e a política.
Foi funcionário concursado da Prefeitura de Jundiaí por 22 anos, onde desempenhou a função de engenheiro civil na elaboração do Plano Diretor e em diversos projetos.
Foi também coordenador do projeto de reurbanização de favelas da Fundação Municipal de Ação Social (Fumas).
Além disso, atuou como secretário de Obras em Campinas, colaborando para o desenvolvimento da metrópole.
Coordenou o Plano Diretor Municipal em Hortolândia e Várzea Paulista.
Paralelamente à carreira técnica, tornou-se professor de Gestão e de Pós-Graduação em Planejamento Ambiental.
Três décadas de vida política
A trajetória eleitoral de Bigardi começou ainda nos anos 1990. Filiado ao PT de 1985 a 2007, exerceu o cargo de presidente do diretório municipal e foi candidato a prefeito de Jundiaí em 1996, obtendo 14,6% dos votos; em 2000, alcançou 37,5%; e em 2004, chegou a 42% dos votos. A cada eleição, sua base eleitoral crescia, consolidando-o como um dos nomes de maior penetração na política municipal.
Em 2006, já no PCdoB, conquistou a quarta suplência de deputado estadual com mais de 51 mil votos. A posse na Alesp viria dois anos depois, por decisão judicial. Após determinação do Tribunal Superior Eleitoral, Bigardi tomou posse como deputado estadual em março de 2009. O caminho até a cadeira legislativa não foi simples: a Assembleia havia inicialmente entendido que ele não poderia ser empossado por ter migrado do PT para o PCdoB, mas o TSE afastou o impedimento. Em 2010, foi reeleito com mais de 67 mil votos, confirmando a força de sua base eleitoral na região de Jundiaí e nos municípios da Região Metropolitana de São Paulo.
Projetos na Alesp: Serra do Japi, idosos e pré-sal
Durante o mandato parlamentar, Bigardi apresentou propostas voltadas ao meio ambiente, à mobilidade e à educação.
Na legislatura iniciada em 2011, pretendia lutar pela aprovação de três projetos de lei de sua autoria: o que cria o Parque Estadual Serra do Japi; o que garante gratuidade aos idosos acima de 60 anos no Sistema Metropolitano do Estado; e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Educação, que destina 50% dos recursos do pré-sal para as áreas de educação, meio ambiente e ciência.
O projeto do Parque Estadual Serra do Japi tem especial relevância para a região de Jundiaí, já que a Serra do Japi é uma das maiores reservas de Mata Atlântica do interior paulista e símbolo da identidade ambiental do município. A proposta de gratuidade no transporte metropolitano para idosos buscava ampliar o acesso da população mais velha à mobilidade urbana no estado.
Na área legislativa, Bigardi também foi o idealizador da Frente Parlamentar de Logística, convicto de que a mobilidade urbana é um dos maiores gargalos do estado de São Paulo e exige projetos mais audaciosos e investimentos estruturantes.
A eleição histórica de 2012 e a gestão municipal
Ao fim do mandato na Alesp, Bigardi voltou-se à disputa pela Prefeitura de Jundiaí.
Em 2012, foi eleito prefeito com 139.614 votos, correspondendo a 65,57% dos votos válidos — a primeira eleição da cidade decidida em segundo turno.
O adversário no segundo turno foi o então deputado federal Luiz Fernando Machado, do PSDB, derrotado com 34,43% dos votos, que mais tarde conseguiu ser eleito e reeleito.
Como prefeito, inaugurou o Pronto Atendimento Central em 70 dias, participou do projeto e construção do complexo viário da Ponte São João, além da construção dos parques do Engordadouro, Morada das Vinhas e Jardim do Lago.
Outro marco de sua gestão foi a entrega gratuita de materiais e uniformes escolares, além da criação do Bilhete Único, que facilitou a mobilidade urbana na cidade. Com ele foram descentralizados os sistemas de saúde de emergência, houve subsídio da tarifa dos ônibus e valorização dos servidores públicos, com um dos maiores planos de reestruturação da história.
Bigardi define o próprio mandato como “realizador e muito humano”, destacando a construção de quatro UPAs e os viadutos na Anhanguera como algumas de suas maiores conquistas.
Sua esposa, Margarete, à frente do Fundo Social, participou ativamente de fortalecer as entidades assistenciais da cidade.
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Saída e retorno ao PCdoB
Em janeiro de 2016, após nove anos filiado ao PCdoB, Bigardi anunciou seu desligamento do partido. Ainda em 2016, disputou novamente a eleição à prefeitura de Jundiaí e foi derrotado no segundo turno por Luiz Fernando Machado, do PSDB. Nos anos seguintes, passou pelo PDT e pela Rede Sustentabilidade, candidatando-se novamente à prefeitura em 2020, sem êxito.
Em março de 2022, anunciou sua volta ao PCdoB. “Fui filiado ao PCdoB durante 9 anos e tive a oportunidade de ser deputado estadual e prefeito durante esse período. Estou retornando. É hora de reconstrução”, declarou na ocasião. A filiação ocorreu durante as comemorações dos 100 anos do PCdoB em Jundiaí, com a presença do deputado federal Orlando Silva e de lideranças do partido.
2026: volta ao Legislativo estadual
Agora, com 66 anos, Bigardi mira novamente a Alesp. O político avalia que está preparado para retornar ao cenário eleitoral, e que sua experiência acumulada será determinante, especialmente em temas que impactam diretamente os municípios da região de Jundiaí. A pré-candidatura ancora-se na combinação rara de ter ocupado o Executivo municipal e o Legislativo estadual — uma trajetória que poucos políticos da região acumulam.
Quando foi deputado, Bigardi mantinha em Jundiaí gabinete onde recebia a população para ouvir os pedidos seja do cidadão comum ou de prefeitos e vereadores.
A confirmação pelo PCdoB coloca Bigardi como um dos nomes mais experientes entre os pré-candidatos à Assembleia pelo campo progressista na região. As eleições estaduais estão previstas para outubro de 2026.


