quarta-feira, 5, agosto, 2026, 08:50
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Paciente denuncia abuso sexual em UTI de hospital de Jundiaí

Uma mulher de 35 anos registrou boletim de ocorrência por estupro na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jundiaí após relatar ter sido abusada sexualmente dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital da cidade.

Segundo a denúncia, o crime teria ocorrido enquanto ela se recuperava de uma cirurgia de emergência, ainda sob efeito de anestesia e sob administração de morfina para controle da dor.

De acordo com o relato registrado na DDM, a paciente havia dado entrada no hospital no dia 7 de abril e teve seu quadro clínico agravado dois dias depois, quando o médico responsável determinou a realização de um novo procedimento cirúrgico.

A cirurgia ocorreu entre 17h e 20h do dia 9. Ao acordar na sala cirúrgica com fortes dores, recebeu morfina e foi encaminhada à UTI. Seu marido solicitou acompanhá-la, mas não foi autorizado.

Na transferência para a maca da UTI, dois técnicos de enfermagem retiraram a camisola hospitalar da paciente para a colocação de fralda descartável, momento em que ela ficou nua. A vítima relata que, enquanto um dos profissionais se abaixava para instalar uma bota pneumática, o outro apalpou seus seios repetidamente. Ela afirma ter aberto os olhos durante o ato, o que fez o profissional recuar brevemente antes de reincidir.

Após o procedimento, a paciente tentou chamar a enfermagem. Quando o médico plantonista compareceu ao leito e perguntou como ela estava, ela relatou o ocorrido.

O hospital teria inicialmente atribuído os toques a um procedimento padrão para colocação de eletrodos de monitoramento. A paciente abaixou a camisola e indicou os locais do toque, entrando em estado de grande abalo emocional.

Segundo o boletim, a vítima solicitou insistentemente que a polícia fosse chamada, mas durante toda a noite apenas lhe ofereceram medicação para dormir.

A Polícia Militar somente compareceu ao local por volta das 14 horas do dia seguinte, após a própria paciente acionar o 190. A Delegacia de Defesa da Mulher mantém o caso em “Segredo de Justiça”, para apuração dos fatos.

Ainda na UTI, foi realizada uma acareação com a presença da equipe de enfermagem e do médico plantonista.

Confrontado diretamente pela paciente sobre o motivo dos toques, o técnico de enfermagem acusado permaneceu em silêncio.

Questionado por que o toque teria ocorrido três vezes, respondeu: “É a sua palavra contra a minha, eu apenas manipulei os eletrodos.”

Em seguida, pressionado novamente, admitiu diante das testemunhas presentes que não era a primeira vez que recebia uma acusação desse tipo.

O médico particular da paciente chegou ao hospital por volta das 8h30 do dia 10, quando ela relatou o ocorrido e questionou quais providências seriam tomadas.

Às 13h, a paciente deixou a UTI e foi encaminhada ao quarto. Recebeu alta no dia 14 de abril, mas segue em tratamento psicológico e sob medicação para controle de crises de ansiedade e insônia decorrentes do trauma.

“Eu vivi o pior pesadelo da minha vida em um lugar onde eu deveria estar sendo cuidada. Não vou me calar para que outras mulheres não passem pelo mesmo inferno”, declarou.

O caso vem sendo apurado pela equipe da delegada titular Camila Duarte Pina.

A vítima foi orientada sobre seus direitos conforme a Lei 11.340/2006 — Lei Maria da Penha — e sobre a possibilidade de requerer medidas protetivas de urgência.

Os advogados da vítima informaram que estão adotando todas as medidas legais nas esferas criminal e civil e que já acionaram o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) para que providências administrativas e disciplinares sejam aplicadas ao profissional acusado.

A defesa aponta ainda a negligência do hospital por ter permitido que o funcionário permanecesse em serviço no setor após a denúncia inicial da paciente.