Professor é acusado de tocar em aluna de 12 anos em escola particular
Uma mãe procurou as autoridades policiais para denunciar um suposto caso de aliciamento sexual envolvendo sua filha, de 12 anos, ocorrido dentro de uma sala de aula em escola particular de Itupeva.
De acordo com o relato registrado em boletim de ocorrência e encaminhado para a Justiça da cidade, o episódio teria acontecido em uma manhã, por volta das 8h30, quando a menina se levantou para ir ao banheiro. Ela passou em frente à mesa do professor de Geografia responsável pela turma.
Segundo a estudante, ao passar pelo docente, ele a chamou, deu-lhe um abraço e um tapa nas nádegas.
A mãe afirma que recebeu uma ligação da coordenadora da escola ao meio-dia, sendo convocada a comparecer presencialmente à instituição para tratar de um assunto que não poderia ser comunicado por telefone.
Somente após insistência, a responsável teria sido informada, ainda pela linha, sobre o que havia ocorrido com a filha.
Ao chegar à escola, a mãe comunicou à direção que acionaria a polícia — decisão que, segundo ela, gerou insatisfação por parte da diretora.
A equipe policial demorou cerca de duas horas para chegar ao local. Nesse intervalo, foi realizada uma reunião com a presença da direção da escola, do professor citado, da advogada da instituição e do advogado da família. Segundo a mãe, durante o encontro, a escola tentou minimizar a situação, alegando que o professor estava emocionalmente abalado e contestando a versão dos fatos.
Quando os policiais chegaram, foram informados de que o docente já havia deixado o estabelecimento.
A instituição informou que o sistema de câmeras de segurança não registrou o episódio por se tratar de um ponto cego, mas reconheceu a existência de ao menos uma testemunha presente na sala no momento dos fatos. Segundo o relato da menina, havia outros quatro alunos na sala quando o episódio ocorreu.
Após o ocorrido, ela teria se dirigido imediatamente à secretaria da escola em busca de ajuda, mas foi informada de que a coordenadora estava em reunião.
A mãe afirma ainda que a própria direção chegou a questionar a veracidade da denúncia, mesmo diante da existência de testemunha.
O boletim de ocorrência foi registrado no dia seguinte ao episódio.
A família alega que, ao retornar à escola em busca de esclarecimentos, foi informada de que o caso estava encerrado pela instituição.
No entanto, segundo a mãe, a situação continua repercutindo entre alunos e funcionários, e a filha estaria sofrendo represálias no ambiente escolar.
As defesas da Escola e do professor não foram localizadas.
O caso está em “Segredo de Justiça”, tanto na Polícia Civil quanto no Fórum da cidade.
O que fazer em casos semelhantes
Diante de situações como a relatada acima, especialistas e autoridades recomendam que pais e responsáveis adotem os seguintes procedimentos:
1. Ouça a criança com calma e sem julgamentos. Dê acolhimento emocional imediato. Evite questionar ou minimizar o relato da criança — a forma como o adulto reage influencia diretamente a disposição dela em continuar falando.
2. Acione a polícia imediatamente. Não aguarde a mediação da escola. O Boletim de Ocorrência (BO) deve ser registrado o quanto antes, de preferência no mesmo dia. Em casos envolvendo crianças e adolescentes, a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) são os órgãos mais indicados.
3. Preserve evidências. Registre tudo por escrito: horários, nomes de possíveis testemunhas, declarações feitas pela escola, e-mails e mensagens recebidos. Não assine documentos propostos pela instituição antes de consultar um advogado.
4. Não enfrente a escola sozinho. Leve um advogado ou, se não tiver condições, acione a Defensoria Pública do Estado de São Paulo (0800 191 98 40). A presença de um profissional jurídico é fundamental, especialmente em reuniões com a direção da escola e sua assessoria legal.
5. Acione o Conselho Tutelar. O Conselho Tutelar do município deve ser comunicado. Ele tem poder de fiscalizar a escola, ouvir a criança e encaminhar o caso ao Ministério Público, se necessário.
6. Leve a criança a atendimento médico e psicológico. O acompanhamento de um profissional de saúde mental é essencial para amparar a vítima e também pode ser determinante para o processo judicial.
7. Em caso de represálias, documente e denuncie. Qualquer forma de pressão, exclusão ou retaliação contra a criança no ambiente escolar pode configurar crime adicional e deve ser comunicada à polícia e ao Conselho Tutelar.
Canais de denúncia:
- Disque 100 — Denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes (24h)
- Disque 180 — Central de atendimento à mulher (também atende casos envolvendo meninas)
- Polícia Militar: 190
- CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) — atendimento à criança vítima de violência


