terça-feira, 9, junho, 2026, 07:40
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Crise na Patriani preocupa compradores de apartamentos

A Construtora Patriani, responsável por grandes lançamentos imobiliários, como os residenciais Mistral e Epic em Jundiaí, está enfrentando a pior crise de sua história. Após fechar o ano de 2025 com um prejuízo de R$ 323,9 milhões, a empresa iniciou um duro processo de reestruturação para tentar sair do vermelho e garantir a entrega dos empreendimentos. Apesar do Procon da cidade ainda não registrar queixas dos compradores, eles estão preocupados com atrasos nas obras – não saiu do chão.

A situação tem gerado apreensão entre os compradores de apartamentos na cidade, que tentam reaver o dinheiro pago.

Para tentar reverter o quadro, a Patriani anunciou uma mudança drástica em seu modelo de negócios: a empresa deixará de atuar como construtora para focar exclusivamente na incorporação imobiliária. Na prática, isso significa que a execução das obras em andamento, inclusive as de Jundiaí e Campinas, será repassada para outras construtoras terceirizadas.

O peso dos juros

O principal vilão para o caixa da Patriani foi o descompasso das taxas de juros. Segundo especialistas do setor, enquanto os clientes pagavam as parcelas dos apartamentos com uma correção média de 6% ao ano, a construtora precisava arcar com juros de cerca de 22% cobrados pelos bancos para financiar as obras. Essa diferença consumiu a margem de lucro da empresa e intensificou a queima de caixa.

Para preservar a liquidez, a Patriani chegou a paralisar algumas obras por até 60 dias, priorizando os recursos para os prédios que já estavam em fase final de acabamento.

Reestruturação e cortes

Em meio à turbulência, o fundador da companhia, Valter Patriani, reassumiu o comando do negócio.

Apesar do cenário desafiador e das renegociações de dívidas que envolveram a entrega de parte do capital a credores, o empresário nega que a Patriani tenha a intenção de entrar com um pedido de recuperação judicial.

O plano de reestruturação já resultou no corte de até 40% do quadro de funcionários da empresa, que agora corre contra o tempo para acalmar os clientes e normalizar o andamento dos projetos repassados às novas construtoras parceiras.