Homem monitora vida da ex-mulher e ameaça quem curte Instagram dela
Um caso grave de violência doméstica, marcado por agressões físicas e perseguição digital extrema, terminou em prisão em flagrante na tarde desta quinta-feira (18), no bairro Jardim Tamoio, em Jundiaí, de um homem que controla a vida da ex-mulher. A delegada do Plantão Policial, doutora Amanda Polastreli de Souza determinou recolhimento do autor para o Centro de Triagem de Campo Limpo Paulista.
Uma jovem de 18 anos, atualmente desempregada, foi covardemente agredida com socos no rosto pelo ex-companheiro.
O agressor, também de 18 anos e desempregado, não aceita o fim do relacionamento, ocorrido há oito meses.
O caso, no entanto, vai muito além da agressão física registrada na Delegacia de Polícia Civil.
Ele revela uma rotina de controle abusivo e psicológico que se estendia para o ambiente virtual, monitorando o Instagram da vítima e observando o comportamento de outros homens, que curtem as fotos dela.
O ex-namorado mantinha um monitoramento doentio sobre a vida da mulher até hoje.
O nível de obsessão era tamanho que ele ameaçava quem ousasse interagir com a vítima nas redes sociais, segundo relato da vítima para a delegada Amanda.
O agressor acessava a conta do Instagram da ex-companheira de forma invasiva. Ele verificava constantemente a lista de seguidores dela, em uma perseguição sem limites.
Qualquer curtida em uma foto já era motivo para fúria e interrogatórios. Ela não tinha sossego.
O autor do crime passava a analisar as mensagens privadas da vítima.
Em um dos episódios recentes, ao ver que a jovem conversava com um rapaz pelo celular, o agressor tomou uma atitude extrema.
Ele não apenas leu as conversas, como enviou mensagens em tom de ameaça e intimidação para o rapaz que havia curtido e interagido com o perfil da vítima.
Essa vigilância constante transformou a vida da jovem em um verdadeiro pesadelo, privando-a de sua liberdade e privacidade, mesmo após o término da relação.
O casal tem um filho pequeno, de apenas um ano e dois meses. Ela contou que foi o período em que os dois “ficaram”.
Foi justamente após uma dinâmica envolvendo a criança que a violência física ocorreu. A vítima havia saído para levar o filho à casa de uma tia.
Ao retornar e descer no local, ela foi surpreendida pelo ex-companheiro. Tomado por uma crise de ciúmes infundada, ele a abordou de forma violenta.
Sem chance de defesa, a jovem passou a ser agredida com socos no rosto. Os golpes atingiram também o ouvido e a lateral da cabeça da vítima.
Desesperada e sentindo fortes dores, ela conseguiu acionar a Polícia Militar através do telefone 190. Um dos atendentes acionou equipe do 49º Batalhão, que mandou viatura ao local dos fatos.
A equipe policial chegou rapidamente ao endereço no Jardim Tamoio.
Ao desembarcarem, os policiais encontraram a vítima, que relatou as agressões e passou as características físicas do ex-namorado.
A jovem também revelou aos policiais que já havia sido agredida em outras ocasiões durante o relacionamento, mas não tinha procurado a Polícia para prestar queixa.
No entanto, desta vez ela teve coragem de acionar a Polícia e registrar a ocorrência.
Com as informações em mãos, os policiais militares iniciaram um patrulhamento pelas imediações do bairro.
Pouco tempo depois, localizaram um indivíduo com as exatas características repassadas pela vítima.
Durante a abordagem, o jovem não resistiu à prisão.
Questionado pelos agentes, ele confessou prontamente ter agredido a ex-companheira.
O agressor tentou justificar o ato de violência alegando ter sofrido uma “traição”, evidenciando o sentimento de posse que ainda nutria pela vítima.
Ele foi algemado e conduzido ao Plantão Policial de Jundiaí.
Na delegacia, a vítima apresentava vermelhidão visível na face.
Ela queixava-se de dores intensas na região da orelha, fruto dos socos desferidos pelo autor.
Diante da gravidade dos fatos, a jovem manifestou o desejo de representar criminalmente contra o agressor.
Ela solicitou imediatamente a concessão de medidas protetivas de urgência para garantir sua segurança e a de seu filho.
Foi expedida uma requisição para a realização de exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).
O conduzido, ao ser interrogado formalmente, foi orientado sobre seus direitos constitucionais.
Diante da autoridade policial, ele optou por exercer o direito ao silêncio.
O caso foi analisado minuciosamente pela delegada de plantão, Dra. Amanda Polastreli de Souza.
A autoridade policial considerou os depoimentos firmes dos policiais militares que atenderam a ocorrência.
A delegada Amanda também levou em conta as declarações coerentes e detalhadas da vítima sobre o histórico de abusos e a agressão do dia.
A confissão informal do agressor no momento da abordagem policial foi outro fator determinante.
Além disso, os sinais aparentes de lesão no rosto da jovem materializaram a violência sofrida.
Com base em todos esses elementos, a Dra. Amanda Polastreli de Souza determinou a prisão em flagrante do indivíduo e o seu recolhimento para a Cadeia de Campo Limpo Paulista, onde aguardará decisão da Justiça.
Ele foi indiciado formalmente pela prática do crime de lesão corporal qualificada.
O crime foi enquadrado no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
O requerimento de medidas protetivas de urgência formulado pela vítima foi encaminhado para apreciação imediata do Poder Judiciário.
A Polícia Civil reforça a importância de que vítimas de violência doméstica denunciem seus agressores.
O controle de redes sociais, a exigência de senhas e as ameaças a amigos virtuais também configuram formas de violência psicológica.
Esses comportamentos abusivos muitas vezes precedem a violência física, como ocorreu neste caso no Jardim Tamoio.
Canais como o 190 (Polícia Militar) e o 180 (Central de Atendimento à Mulher) estão disponíveis 24 horas por dia.
A denúncia é o primeiro passo para romper o ciclo de violência e garantir a proteção da mulher e de seus filhos.
O caso de Jundiaí serve como um alerta para os perigos do stalking digital.
Especialistas em segurança pública apontam que o monitoramento de redes sociais tem se tornado uma arma frequente nas mãos de agressores.
A falsa sensação de anonimato ou de “direito” sobre a vida da ex-parceira impulsiona atitudes criminosas.
No caso desta jovem, o simples ato de receber uma curtida em uma foto desencadeou uma fúria desproporcional.
O agressor não apenas a vigiava, mas ativamente tentava isolá-la do mundo, espantando qualquer pessoa que tentasse se aproximar.
A intimidação aos seguidores do Instagram da vítima demonstra o nível de periculosidade do autor.
Ele buscava manter o controle absoluto sobre as interações sociais da mulher, cerceando sua liberdade.
A prisão em flagrante ratificada pela delegada Dra. Amanda Polastreli de Souza tira das ruas um indivíduo que representa risco iminente para a vítima.


