Grêmio C.P. vai abrigar igreja a partir de janeiro de 27
O Grêmio CP, um dos clubes mais tradicionais de Jundiaí, vai transformar sua sede central da rua Rangel Pestana em local de culto a partir de janeiro de 2027.
O presidente Paulo Roberto, conhecido como Tupã, anunciou a decisão no programa “Mais Esporte”, da TV Mais Brasil de Jundiaí, ao jornalista Anelso Paixão.
O aluguel do imóvel para uma igreja é a alternativa encontrada pela diretoria para saldar dívidas com a Prefeitura, o Estado e a União e, ao mesmo tempo, evitar a venda definitiva do patrimônio.
Segundo Paulo Roberto, os recursos gerados com o aluguel pago pela igreja serão suficientes para quitarem os débitos.
Ele garantiu que o clube não registra hoje dívidas salariais nem com fornecedores — o passivo concentra-se nos tributos dos três entes governamentais.
A estratégia vem acompanhada de outras iniciativas de arrecadação: recentemente, o Grêmio sediou um bingo e retomou a realização de bailes em sua sede.
A decisão marca mais um capítulo da crise financeira que se arrasta desde a pandemia de Covid-19.
Em novembro de 2021, a diretoria já havia comunicado que a sede central passaria a funcionar exclusivamente para eventos e locações, com as atividades recreativas transferidas para a sede de campo, no bairro do Caxambu.
Na ocasião, o clube publicou nota explicando que as receitas haviam diminuído drasticamente com a perda de mensalidades associativas e a interrupção dos eventos sociais, inviabilizando a manutenção das duas sedes em funcionamento simultâneo.
Uma história de 125 anos
Fundado em 15 de novembro de 1900 por funcionários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro — daí a sigla “CP” que compõe o nome —, o Grêmio é uma associação recreativa sem fins lucrativos que completou 125 anos em 2025.
A sede central, localizada na rua Rangel Pestana, 334, no Centro de Jundiaí, ocupa uma área de cerca de 200 mil m² e por décadas foi um dos principais pontos de lazer da cidade.
O final dos anos 1980 e o início dos anos 1990 marcaram o auge do clube.
Os bailes de Carnaval eram considerados os melhores do interior de São Paulo, com cinco noites de festa — da sexta-feira à terça-feira — animadas pela Orquestra City Swing e por decorações que lotavam o enorme salão. A imprensa cobria o evento do mezanino, em uma época em que a cobertura era feita apenas por jornais impressos e rádios.
No mesmo período, o clube promovia as famosas “domingueiras”, baladas aos domingos que atraíam o público jovem, além de bailes tradicionais às sextas-feiras.
A sede central também abrigava aulas de karatê, capoeira, jiu-jítsu, boxe, hidroginástica, balé e dança do ventre, além de contar com pista de bocha, academia, piscinas e saunas.
Agora, com a chegada da igreja à sede central, o Grêmio CP aposta em uma nova fonte de recenda para preservar um patrimônio que atravessa mais de um século de história de Jundiaí — ainda que, para isso, os salões que já abrigaram os melhores bailes do interior paulista passem a ecoar cânticos em vez de música dançante.


