quarta-feira, 15, julho, 2026, 07:42
CAMPINASCIDADESPOLÍCIA

MP e BAEP cumprem 38 mandados contra fraudadores do ICMS

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), através do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos no Estado de São Paulo (CIRA/SP), com apoio das forças policiais do BAEP, deflagrou operação para apurar um suposto esquema bilionário de fraudes relacionadas à obtenção irregular de créditos de ICMS e à corrupção de agentes públicos.

Segundo a investigação, empresários, advogados, contadores e servidores públicos teriam atuado de forma estruturada para favorecer grupos econômicos, reduzindo ou anulando débitos tributários mediante o pagamento de vantagens indevidas.

O esquema investigado teria causado prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos e é tratado como possível atuação de organização criminosa voltada à fraude fiscal e corrupção.

Estão sendo cumpridos 38 Mandados de Busca e Apreensão nos Estados de São Paulo e Paraná, sendo que o 1° BAEP de Campinas apoia no cumprimento de 10 destes mandados na região de Campinas.

Entenda o caso

Segundo as investigações, escritórios de advocacia e consultorias ofereciam a empresas paulistas créditos tributários com deságio, apresentando-os como supostos “planejamentos tributários” e como se os créditos tivessem sido regularmente autorizados pelo Fisco. Fechado o acordo, o contribuinte deixava de recolher integralmente o ICMS e repassava aos intermediadores honorários de êxito que podiam chegar a 70% do valor dos créditos utilizados — ou seja, o dinheiro que deveria ser direcionado aos cofres públicos acabava desviado para os estelionatários.

Os elementos já reunidos comprovam que os créditos negociados não possuíam qualquer lastro econômico real. Para dar aparência de legalidade ao esquema, os investigados teriam recorrido a contratos, procurações, apólices e até a documentos fictícios atribuídos à própria Administração Tributária.

Estão sendo cumpridos 38 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé, as duas últimas no Paraná. Participam da operação servidores do Ministério Público, auditores fiscais e procuradores do Estado e policiais civis e militares.

A fraude provocou elevados prejuízos à arrecadação estadual: ao lançar créditos sem amparo legal, o esquema reduz artificialmente o ICMS recolhido e subtrai recursos que deveriam custear serviços públicos essenciais. Até o momento a Secretaria da Fazenda já realizou verificações fiscais que culminaram na lavratura de autos de infração em 752 empresas envolvidas na fraude cujo montante sonegado supera R$ 3,8 bilhões — cifra que revela um esquema estruturado e de larga escala.

O prejuízo, no entanto, vai além do caixa público. Ao operar com créditos irregulares, as empresas beneficiadas derrubam artificialmente seus custos tributários e competem em vantagem indevida sobre quem cumpre em dia suas obrigações. Essa distorção corrói a isonomia tributária, sufoca a livre concorrência e degrada o ambiente de negócios em São Paulo. Combater essa prática é, portanto, defender ao mesmo tempo a arrecadação do Estado e o contribuinte honesto.

A iniciativa reforça o compromisso das instituições no enfrentamento à sonegação fiscal, às fraudes tributárias e à concorrência desleal. Além da recuperação de ativos, a atuação conjunta busca fortalecer a integridade do sistema tributário paulista, garantir a isonomia entre os contribuintes e proteger o interesse público.