Grupo tenta invadir plenário da Câmara em audiência para preservação da Serra do Japi
A terceira audiência pública em defesa da Serra do Japi, realizada na noite de quinta-feira (13), na Câmara Municipal de Jundiaí, terminou com um episódio de tensão. Segundo relato do presidente da Casa, vereador Edicarlos Vieira, um grupo de manifestantes teria tentado invadir o plenário e transformar o debate em confusão.
Em publicação nas redes sociais, Vieira afirmou que o encontro transcorreu com a participação de moradores, ambientalistas, técnicos e representantes da comunidade indígena, todos ouvidos conforme o Regimento da Casa. O vereador, porém, relatou que “algumas pessoas que vieram de fora de Jundiaí, uma parte da esquerda radicalizada, tentaram invadir o plenário e transformar a audiência em baderna”, além de tentar “usar a comunidade indígena como massa de manobra política”.
“Não permitimos. Aqui em Jundiaí tem lei e tem regras. A Casa do Povo é de todos, e justamente por isso ninguém está acima dela. Quem quer defender a Serra do Japi encontra as portas abertas e o microfone à disposição. Quem quer tumulto não encontra espaço”, escreveu o presidente.
Contexto do debate
Ver essa foto no Instagram
As audiências públicas sobre a Serra do Japi fazem parte de um movimento para tornar permanente a proteção do território. Em 6 de agosto, a Câmara discutiu o Projeto de Lei Complementar nº 1.188/2026, de autoria de Edicarlos Vieira, que altera a Lei Complementar nº 518/2012, responsável por vedar procedimentos administrativos para fins imobiliários no Território de Gestão da Serra. A proposta busca tornar definitiva a proteção da área e estabelecer sanções para infrações ambientais.
Na noite de quinta-feira (13), o debate girou em torno do PLC nº 1.191/2026, também voltado à preservação do maciço. A Prefeitura de Jundiaí, por sua vez, já encaminhou à Câmara um projeto de lei que impede, por prazo indeterminado, a proteção da Serra.
A Serra do Japi é um dos mais importantes remanescentes de Mata Atlântica do interior de São Paulo, abrangendo também os municípios de Cabreúva, Cajamar e Pirapora do Bom Jesus. Atualmente, cerca de 65% de sua área é preservada, e entidades defendem a ampliação desse percentual.
Próximos passos
Segundo Edicarlos Vieira, as contribuições das audiências serão reunidas para aperfeiçoar a legislação de proteção da Serra. “Vamos trabalhar para juntar tudo e fazer um conjunto de medidas para preservar a nossa Serra”, afirmou. A proposta, segundo ele, nasceu de uma demanda da sociedade: “Preservar a Serra do Japi é preservar as futuras gerações.”
A reportagem do Jornal da Região procurou a Câmara Municipal para obter o posicionamento oficial sobre o episódio relatado pelo presidente, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.


